A Justiça decretou a prisão preventiva de um policial militar investigado por tentar matar o proprietário de uma oficina mecânica em Sobradinho, na Região dos Vales do Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada após manifestação favorável do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que apontou a necessidade da medida para preservar a ordem pública e garantir o andamento das investigações.
O caso aconteceu no dia 1º de agosto, quando o soldado Djavan Roger Fritsch teria ido até a oficina, agredido o proprietário e efetuado quatro disparos de arma de fogo contra ele.
A vítima, Wilian Wink, de 32 anos, foi atingida por três disparos, sendo dois na região do abdômen e um na perna. Ele ficou gravemente ferido e permanece internado no Hospital de Cachoeira do Sul.
O pedido de prisão preventiva foi aceito pelo Judiciário no dia 7 de agosto. Entre os elementos reunidos durante a investigação estão imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e outras provas coletadas pela polícia.
Investigação aponta tentativa de homicídio
Segundo a delegada Graciela Foresti Chagas, o caso é tratado inicialmente como tentativa de homicídio. As imagens analisadas pela polícia mostram o momento em que o policial entra na oficina, empurra Wilian, inicia uma discussão e efetua quatro disparos contra o empresário.
A arma utilizada pelo policial militar, que seria funcional, e os projéteis retirados do corpo da vítima foram encaminhados para perícia.
Após o ocorrido, Fritsch se apresentou no quartel da Brigada Militar e entregou a arma utilizada. Inicialmente, ele foi autuado em flagrante e encaminhado ao Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.
A investigação aponta ainda que o conflito entre o policial e o proprietário da oficina já existia há aproximadamente dois anos. Conforme a delegada, havia registros anteriores relacionados a reclamações de perturbação do sossego envolvendo o estabelecimento.
De acordo com o advogado que representa a família da vítima, Maurício Batista, a oficina prepara motocicletas para competições e possui equipamentos utilizados em testes de velocidade e potência, o que seria uma das razões para as reclamações de moradores da região.
Segundo informações do caso, pelo menos sete ocorrências por perturbação do sossego teriam sido registradas pela família do policial e por outros moradores. O andamento dessas ocorrências não foi informado.
Defesa afirma que policial teria agido para proteger a família
O advogado do policial, Felipe Haas, afirma que o soldado alegava estar tentando defender a própria família diante das situações envolvendo o barulho produzido pela oficina.
A defesa, entretanto, contesta o enquadramento inicial como tentativa de homicídio e sustenta que os fatos poderiam caracterizar lesão corporal, além de argumentar que o policial teria agido em um contexto relacionado à proteção da família.
A polícia segue ouvindo testemunhas. Entre os depoimentos previstos está o da esposa do policial, que, segundo o boletim de ocorrência, teria ligado para o marido solicitando que ele fosse até a oficina devido ao barulho.
O inquérito deve ser concluído ainda neste mês.
Brigada Militar se manifesta
Em nota, a Brigada Militar informou que o policial, durante o serviço, teria se envolvido em uma discussão decorrente de desavenças pessoais com a vítima e efetuado quatro disparos, dos quais três atingiram o proprietário da oficina.
A corporação afirmou que o militar foi autuado em flagrante pelos crimes militares em tese praticados e encaminhado ao Presídio Policial Militar, onde permanece à disposição da Justiça Militar.
A Brigada Militar também declarou que não compactua com condutas incompatíveis com os princípios da instituição e que as investigações prosseguem para esclarecer completamente as circunstâncias do caso, assegurando ao investigado o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1
