A Justiça deferiu o pedido de prisão preventiva do policial militar investigado pelo desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Anderson Spier.
O pedido havia sido encaminhado pela Polícia Civil no início da semana e foi aceito faltando menos de dois dias para o término do prazo da prisão temporária, que estava em vigor desde fevereiro. Com a decisão, o investigado permanece preso por tempo indeterminado enquanto o inquérito segue em andamento.
Faltando uma semana para a conclusão das investigações, a apuração entra na fase final, com foco na organização das provas reunidas ao longo de mais de 70 dias de diligências. O inquérito já soma centenas de páginas.
De acordo com o delegado Anderson Spier, o envio da documentação ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) está previsto para o dia 16 de abril. No dia seguinte, a Polícia Civil deve divulgar as provas obtidas durante a investigação.
Segundo ele, o trabalho nesta etapa é essencialmente técnico, envolvendo a formalização de relatórios complexos e a organização dos elementos já coletados. “Estamos agora organizando as provas, formalizando relatórios que faltam e juntando ao inquérito. O trabalho agora é para terminar a formalização do que estava faltando”, afirmou.
A linha de investigação aponta que o policial militar Cristiano Domingues Francisco teria premeditado o crime contra a ex-companheira, Silvana, em meio a desavenças relacionadas à educação do filho. Conforme a apuração, os homicídios dos pais dela, Isail e Dalmira, teriam ocorrido posteriormente, após eles confrontarem o investigado sobre o desaparecimento da filha.
A suspeita é de que, ao ser questionado, o policial tenha cometido os crimes para evitar ser descoberto e sustentar a versão de um suposto desaparecimento acidental. A Polícia Civil trabalha com as hipóteses de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver.
Além das desavenças familiares, a investigação também considera uma possível motivação financeira. O patrimônio das vítimas poderia ficar à disposição do filho, o que é apontado como um fator que pode ter contribuído para os crimes.
Durante novo comparecimento à delegacia nesta semana, o investigado e seu advogado tiveram acesso às provas reunidas no inquérito, incluindo registros que indicariam sua presença nos locais e movimentações consideradas suspeitas, como o fato de o celular da vítima ter sido levado dentro da viatura durante a jornada de trabalho. Ainda assim, ele optou por permanecer em silêncio.
A apuração também envolve outras três pessoas por crimes relacionados ao caso. A esposa do investigado é suspeita de induzir um amigo a prestar falso testemunho e de apagar dados armazenados na nuvem do celular do policial. O irmão dele é investigado por retirar dispositivos de armazenamento de imagens da casa da mãe do suspeito. Já o amigo é apontado por mentir em depoimento.
Mesmo com o encerramento do inquérito previsto para os próximos dias, a Polícia Civil afirma que seguirá com diligências para localizar os corpos das vítimas, que ainda não foram encontrados. “Não tivemos novidades sobre os corpos. Já fizemos diligências em todos os locais, mas não localizamos”, resumiu o delegado.
Silvana desapareceu no dia 24 de janeiro. Câmeras de segurança registraram a movimentação de um Volkswagen Fox vermelho em frente à residência dela, com duas entradas no local durante a noite. Horas depois, o carro da vítima chegou à casa e não saiu mais da garagem.
Ainda naquela data, uma publicação em nome de Silvana foi feita nas redes sociais relatando um suposto acidente de trânsito enquanto ela retornava de Gramado, na Serra gaúcha. A investigação aponta que a colisão nunca ocorreu.
Os pais dela, Isail e Dalmira, desapareceram no dia seguinte, 25 de janeiro. Após serem alertados por vizinhos sobre a postagem, tentaram registrar ocorrência, mas encontraram a delegacia fechada. Em seguida, buscaram ajuda com o ex-genro, policial militar, sendo vistos pela última vez ao entrar em um veículo desconhecido.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
