O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã entrou na terceira semana marcado por novos ataques e aumento das tensões no Oriente Médio. Nesta segunda-feira (16), o preço do petróleo voltou a subir nos mercados internacionais, ampliando preocupações sobre impactos econômicos globais e reflexos no Brasil.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, registrou alta de 2,5%, chegando a US$ 105,70, acumulando valorização superior a 40% desde o início da guerra. Já o petróleo de referência dos Estados Unidos avançou 1,6%, para US$ 100,29 por barril, com ganho próximo de 50% no mesmo período.
No cenário militar, as forças de Israel enviaram tropas terrestres adicionais ao Líbano para o que classificam como uma “operação limitada e direcionada”. Segundo o porta-voz militar, tenente-coronel Nadav Shoshani, a ação tem como objetivo defender comunidades fronteiriças contra ataques do grupo Hezbollah.
Ao mesmo tempo, a União Europeia avalia ampliar operações militares no mar para garantir a segurança da navegação internacional. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco discute duas alternativas: ampliar a missão naval Áspides, atualmente ativa no Mar Vermelho, ou criar uma coalizão de países para proteger rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.
Impactos já são sentidos no agronegócio gaúcho
A escalada do conflito internacional já começa a produzir efeitos no Rio Grande do Sul, especialmente no setor do agronegócio, que responde por cerca de 40% da economia do Estado. A alta do petróleo encarece o diesel, combustível essencial para máquinas agrícolas e transporte da produção.
Especialistas apontam que o diesel representa cerca de 5% do custo operacional das lavouras. Com a guerra pressionando o preço do barril, produtores relatam aumento no valor do combustível e até dificuldades de abastecimento em algumas regiões do Estado.
A elevação dos custos ocorre justamente em um momento crítico para o campo, quando agricultores estão colhendo soja e transportando a produção, além de concluir o plantio da segunda safra de milho, atividades que dependem diretamente do uso de diesel.
Outra preocupação é o impacto sobre fertilizantes e insumos agrícolas. O Oriente Médio é um importante fornecedor global de adubos como ureia e amônia, e qualquer interrupção logística ou aumento no frete marítimo pode elevar os custos para os produtores brasileiros.
Além disso, o mercado do Oriente Médio é relevante para o comércio exterior gaúcho. A região é um importante destino para produtos como soja, milho e carnes, e também fornecedor de fertilizantes utilizados na agricultura do Estado.
Diante desse cenário, economistas e representantes do setor produtivo acompanham com atenção o avanço do conflito, já que uma escalada militar mais ampla pode provocar novas altas no petróleo, aumento nos custos de produção e reflexos no preço dos alimentos no Brasil.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
