Na manhã desta quarta-feira, 21 de janeiro, o programa Giro da Notícia abriu espaço para uma entrevista extensa e reveladora com o youtuber Lucas Gaúcho, morador de Lajeado, que soma mais de 160 mil inscritos apenas no YouTube e se consolidou como um dos pioneiros no Brasil na produção de conteúdo voltado à exploração de imóveis, áreas e espaços históricos abandonados. A conversa foi conduzida pelo comunicador Rodrigo Oliveira e pelo jornalista Fernando Kopper, em uma edição marcada por relatos fortes, histórias inusitadas e reflexões sobre memória, história e responsabilidade social.

Logo no início da entrevista, Lucas agradeceu o espaço concedido pela Rádio Planetária de Espumoso e destacou a importância de dar visibilidade a um tipo de conteúdo ainda pouco compreendido por parte do público. Ele explicou que seu trabalho vai além da curiosidade ou do entretenimento, funcionando como uma forma de registro histórico de locais que, muitas vezes, estão prestes a desaparecer sem deixar vestígios. Segundo ele, ao visitar cemitérios antigos, casas abandonadas ou prédios históricos tomados pelo mato e pelo tempo, acaba resgatando fragmentos da memória do interior do Rio Grande do Sul.
Durante o bate-papo, Rodrigo Oliveira questionou qual teria sido a situação mais impactante vivida ao longo das explorações. Lucas relatou um episódio ocorrido no interior do município de Estrela, quando entrou em uma casa abandonada com autorização de familiares e encontrou o imóvel completamente preservado, como se o tempo tivesse parado. No local havia objetos pessoais, documentos, uma certidão de óbito e até a dentadura dos antigos moradores. Segundo o youtuber, se não houvesse o registro em vídeo, dificilmente alguém acreditaria na cena encontrada.

Outro momento de forte repercussão no canal foi quando Lucas relatou a descoberta de um cadáver em uma de suas explorações. Ele explicou que, apesar de inicialmente ter havido consentimento da família, a repercussão e os comentários nas redes sociais acabaram gerando desconforto, o que o levou a restringir o vídeo. O episódio marcou profundamente o criador de conteúdo, que hoje trata o assunto com mais tranquilidade, mas reforça o quanto a situação foi delicada e fora de qualquer expectativa.
Ao longo da entrevista, Lucas também falou sobre os riscos envolvidos nesse tipo de atividade. Embora nunca tenha passado por situações de violência direta ou encontros com pessoas mal-intencionadas, ele relatou episódios de resistência por parte de moradores, principalmente no interior. Segundo ele, muitas pessoas mais velhas veem com desconfiança alguém chegando com uma câmera para registrar casas abandonadas, temendo intenções negativas. Nessas situações, Lucas afirma que sempre respeita a negativa e segue adiante, reforçando que seu objetivo nunca foi retirar objetos ou danificar os locais, mas apenas registrar o que um dia deixará de existir.
Questionado sobre a rotina de trabalho, Lucas explicou que a produção dos vídeos exige planejamento, custos e dedicação, o que faz da atividade um trabalho de fato, embora atualmente ele concilie o canal com outras ocupações. Ele relatou que passou por uma pausa recente por questões pessoais e familiares, mas destacou que não consegue abandonar completamente as explorações, já que gravar vídeos e contar histórias sempre foi uma paixão. Além do YouTube, Lucas também mantém forte presença no TikTok, onde soma mais de 130 mil seguidores.

A entrevista ganhou ainda mais profundidade com a participação do jornalista Fernando Kopper, que relembrou duas reportagens marcantes do canal: a exploração do antigo Hospital Teutônia Norte, conhecido popularmente como “hospital dos suicidas”, e do antigo sanatório Kempf, fundado em 1888. Lucas detalhou as visitas, relatando a presença de documentos médicos, raios X, fichas de pacientes e objetos que reforçavam a carga histórica e emocional dos locais. Embora se declare cético em relação a fenômenos sobrenaturais, ele destacou a sensação de energia pesada presente nesses ambientes, especialmente em hospitais e sanatórios, onde ocorreram episódios de sofrimento humano.
No caso do sanatório Kempf, Lucas contou que, em uma das visitas, presenciou pessoas tentando furtar janelas antigas e objetos históricos do prédio, o que reforça, segundo ele, a importância de registrar esses locais antes que sejam totalmente descaracterizados ou destruídos. Para o youtuber, a história pode ser incômoda, mas não deve ser apagada.
Ao final da entrevista, Lucas Gaúcho reforçou que seu canal está presente no YouTube, TikTok e Instagram, sempre com o mesmo nome, e agradeceu novamente o espaço concedido pela emissora. Rodrigo Oliveira e Fernando Kopper encerraram destacando a relevância do trabalho desenvolvido, que une curiosidade, preservação da memória e jornalismo independente, convidando os ouvintes a conhecerem o conteúdo e refletirem sobre a história escondida em locais esquecidos pelo tempo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Reportagem: Repórter Rodrigo Oliveira/Rádio Planetário
Fotos: Arquivo pessoal
