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    Início » Entidade que recebeu R$ 34 milhões para gerir creches é alvo de operação por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos
    Polícia

    Entidade que recebeu R$ 34 milhões para gerir creches é alvo de operação por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos

    Fernando KopperFernando Kopper14 de maio de 202502 Mins Read21
    Uma organização social contratada para administrar escolas de Educação Infantil em diferentes municípios do Rio Grande do Sul é suspeita de fraudes em documentos e desvio de recursos públicos. A Associação de Desenvolvimento de Projetos Educacionais, Culturais e Sociais (ADPECS) teria recebido ao menos R$ 34 milhões em contratos com prefeituras, parte deles, segundo a investigação, com base em declarações falsas de prestação de serviços e atestados de capacidade técnica forjados.
    A entidade é alvo da Operação Terceiro Setor, deflagrada nesta quarta-feira (14) pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap). O objetivo é aprofundar as apurações sobre possíveis irregularidades na contratação da ADPECS no município de Taquari, onde os contratos somam R$ 12,2 milhões e envolvem a gestão de três escolas infantis.
    Policiais civis cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Taquari, São Jerônimo, Eldorado do Sul, Gramado e Canela. Em uma das residências investigadas, localizada em Porto Alegre, foram apreendidos R$ 69 mil em dinheiro vivo e um veículo Rampage.
    De acordo com o delegado Cassiano Cabral, diretor do Dercap, a ADPECS teria repassado valores milionários a contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas a um mesmo núcleo familiar, o que levanta suspeitas de lavagem de dinheiro. A entidade, por lei, não pode ter fins lucrativos e deve reinvestir os recursos públicos recebidos em suas atividades-fim.
    A investigação apura fatos ocorridos entre 2017 e 2024, com foco inicial no contrato emergencial firmado em Taquari. Conforme o inquérito, a ADPECS teria apresentado um atestado técnico falso, supostamente emitido por outra entidade social, com a qual não mantinha vínculo de prestação de serviços na área de Educação Infantil. A própria entidade que emitiu o documento confirmou que a ADPECS nunca prestou o serviço citado, e que o atestado foi dado como “troca” por treinamentos realizados.
    Além das fraudes contratuais, a apuração também examina se servidores públicos podem ter se beneficiado ou contribuído para os desvios. Há indícios de relatórios manipulados, notas fiscais frias e transferências suspeitas para empresas e bens vinculados ao núcleo familiar que dirige a organização.
    A polícia investiga os crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato e associação criminosa. A reportagem aguarda o posicionamento oficial da ADPECS e da Prefeitura de Taquari.
    Com informações: Jornalista Fernando Kopper
    Fernando Kopper

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