Parte significativa dos parlamentares avalia que o próximo pleito será mais competitivo do que o anterior. A percepção interna é de que o “corte” eleitoral subirá, exigindo votações mais expressivas para garantir uma cadeira no Legislativo. Nos corredores da Assembleia, circula a estimativa de que serão necessários, em média, 30 mil votos para assegurar a reeleição em 2026. Em 2022, onze deputados conquistaram mandato com votação inferior a esse patamar, o que indica que muitos precisarão ampliar suas bases eleitorais para permanecer no Parlamento gaúcho.
Além das reeleições, cresce o número de deputados que pretendem mudar de esfera e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Estão nesse grupo Felipe Camozzato (Novo), Frederico Antunes (PP), Gustavo Victorino (Republicanos), Juvir Costella (MDB), Laura Sito (PT), Patrícia Alba (MDB), Valdeci Oliveira (PT), Valdir Bonatto (PSDB) e Vilmar Zanchin (MDB). O deputado Matheus Gomes (PSol) também é citado como possível candidato a deputado federal, embora ainda não haja definição oficial sobre seu futuro político.
Outra indefinição envolve a deputada Silvana Covatti (PP). Ela pode optar pela reeleição como deputada estadual, mas também é apontada como um dos nomes cotados para compor uma chapa majoritária, possivelmente como candidata a vice-governadora. O Progressistas se encontra no centro de uma disputa política, sendo assediado tanto pelo MDB, do vice-governador Gabriel Souza, quanto pelo PL, do deputado Luciano Zucco, ambos pré-candidatos ao Palácio Piratini.
O próprio PP, entretanto, também trabalha com projetos próprios para o governo do Estado. Uma das pré-candidaturas colocadas é a do atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo. Caso essa alternativa seja confirmada, Polo não disputará a reeleição ao Legislativo, abrindo espaço para uma reorganização interna do partido.
Enquanto isso, os parlamentares que buscam a reeleição já iniciaram o período de pré-campanha com atenção redobrada aos números. A “calculadora” virou instrumento central nas estratégias eleitorais, diante da expectativa de que o cenário partidário será mais enxuto e competitivo. Atualmente, 15 partidos dividem as 55 cadeiras da Assembleia Legislativa. Quatro dessas siglas contam com apenas um deputado cada: Novo, PCdoB, PRD e PSD.
Esse quadro tende a mudar significativamente. O PSD, partido do governador Eduardo Leite, é apontado como uma das siglas que mais deve crescer na próxima legislatura, com a expectativa de conquistar ao menos quatro parlamentares durante a janela partidária de março. Em contrapartida, o PSDB vive um processo de enfraquecimento, com a previsão de perder quatro deputados e enfrentar dificuldades para manter uma bancada estruturada no Parlamento gaúcho.
Um caso emblemático é o do PRD. O partido enfrenta um racha entre a direção estadual e a nacional e, no momento, não apresenta perspectivas concretas de renovação ou fortalecimento no Rio Grande do Sul. Esse movimento reforça a tendência de redução no número de legendas com representação na Assembleia, o que pode elevar ainda mais a disputa interna por votos dentro das chapas proporcionais.
Com reeleições em massa, possíveis mudanças de esfera e rearranjos partidários, o cenário eleitoral de 2026 se desenha como um dos mais desafiadores dos últimos anos para os deputados estaduais. A combinação de voto mais caro, menos partidos e maior competitividade deve redefinir o mapa político do Legislativo gaúcho a partir do próximo pleito.
