A morosidade no processo de licenciamento ambiental do projeto Soli3 tem gerado críticas e frustração em Cruz Alta, onde é aguardada a instalação de um complexo industrial com fábrica de biodiesel. O atraso na emissão da licença prévia foi alvo de questionamentos do presidente da Cooperativa Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul, Nei César Manica, que aponta prejuízos econômicos e entraves ao desenvolvimento regional.
O empreendimento, resultado da parceria entre as cooperativas Cotrijal, Cotrisal e Cotripal, prevê investimento de R$ 1,25 bilhão. Segundo Manica, a licença era esperada ainda em 2025, mas até o momento não foi concedida, o que, na avaliação dele, compromete o avanço de um projeto considerado estratégico para a economia gaúcha.
Mesmo sem a liberação definitiva, as cooperativas já adquiriram uma área de 140 hectares e investiram cerca de R$ 500 milhões em equipamentos, enquanto aguardam autorização para dar andamento ao empreendimento.
O complexo industrial prevê produção mensal de 18 mil toneladas de biodiesel, 66 mil toneladas de farelo de soja, 2,3 mil toneladas de glicerina e 4,5 mil toneladas de casca de soja, com expectativa de geração de empregos e fortalecimento da cadeia agroindustrial na região.
Em contrapartida, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) sustenta que não há atraso no processo e afirma que o projeto possui prioridade por seu impacto econômico. O órgão ambiental, no entanto, aponta falhas técnicas nos estudos apresentados, especialmente em relação a cenários de risco e segurança industrial, o que impediria o avanço da análise.
O impasse expõe o embate entre o rigor dos processos ambientais e a expectativa por investimentos de grande porte. Enquanto o licenciamento não é concluído, o projeto segue sem definição, e a promessa de início das operações em 2028 permanece incerta, ampliando críticas sobre a burocracia e seus efeitos no desenvolvimento econômico do município e do Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
