A aproximação da colheita de soja no Rio Grande do Sul, prevista para ganhar ritmo a partir do final de fevereiro, tende a intensificar a concorrência por espaço nos silos entre soja, culturas de inverno e milho, o que deve resultar em aumento nos custos de armazenagem. A avaliação é da TF Agroeconômica, que aponta um cenário de pressão logística no estado à medida que o volume da produção começa a chegar ao mercado.
No levantamento mais recente, Cruz Alta aparece com a saca de soja cotada a R$ 123,00, mantendo estabilidade no preço. Na região de Ijuí, o valor também foi de R$ 123,50, enquanto Passo Fundo registrou R$ 123,50 e Santa Rosa R$ 123,00 por saca. Já no porto de Rio Grande, a cotação ficou em R$ 130,00, com queda de 4,07%, refletindo ajustes no mercado exportador.
Segundo a TF Agroeconômica, a integração do Rio Grande do Sul com o complexo agroindustrial de Santa Catarina tem papel relevante na sustentação dos preços internos. Essa conexão mantém a demanda aquecida e constante, proporcionando maior estabilidade às cotações e reduzindo a dependência direta dos prêmios de exportação, realidade diferente da observada em estados com perfil exclusivamente exportador. No porto catarinense de São Francisco, a saca de soja é negociada a R$ 126,50, com recuo de 4,09%.
No Paraná, embora 89% das lavouras sejam avaliadas em boas condições, os produtores acompanham com atenção os efeitos dos picos de calor acima de 30°C, que podem comprometer a qualidade da produção. Em Cascavel, a soja é cotada a R$ 117,00; em Maringá, R$ 124,00; em Ponta Grossa, R$ 122,00 por saca FOB; e em Pato Branco, R$ 119,00. Em Ponta Grossa, os preços de balcão ficaram em R$ 118,00.
Em Mato Grosso do Sul, a situação é marcada por forte pressão logística. O déficit de capacidade estática de armazenagem tem obrigado produtores e cooperativas a recorrerem a armazéns temporários e ao uso de silos-bolsa, o que influencia diretamente as estratégias de recepção e comercialização da safra. Em Dourados, a soja spot ficou em R$ 111,50; em Campo Grande, R$ 110,00; em Maracaju, R$ 107,00; em Chapadão do Sul, R$ 107,00; e em Sidrolândia, R$ 110,00 por saca.
Já em Mato Grosso, a comercialização antecipada da safra 2025/26 alcançou 44,14% em janeiro. No entanto, novos negócios perderam ritmo diante das quedas nas cotações da Bolsa de Chicago e da desvalorização do dólar. Campo Verde registrou preço de R$ 106,00; Lucas do Rio Verde, R$ 100,60; Nova Mutum, R$ 101,30; Primavera do Leste, R$ 106,50; Rondonópolis, R$ 108,00; e Sorriso, R$ 99,40 por saca.
O cenário reforça a importância de polos estratégicos como Cruz Alta, que seguem como referência regional em preços e logística, ao mesmo tempo em que enfrentam os desafios impostos pelo avanço da colheita e pela crescente disputa por capacidade de armazenagem no estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
