A presença feminina no Exército Brasileiro alcançou um novo capítulo histórico em Cruz Alta. Pela primeira vez, 33 mulheres concluíram o Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos na Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas (EASA), tornando-se pioneiras no estabelecimento de ensino militar sediado no município gaúcho. Todas são 2º Sargentos da Qualificação Militar Singular (QMS) Músico e passam a integrar um marco inédito na trajetória da Instituição.
Durante o curso, que reúne graduados de ambos os sexos, as militares ampliaram seus conhecimentos em áreas estratégicas como liderança, assessoramento e gestão. A formação incluiu disciplinas como Gestão Administrativa, Organização e Emprego da Força Terrestre, Ética Profissional Militar, Direitos Humanos e Liderança, preparando as sargentos para assumir funções de maior responsabilidade dentro de suas organizações militares.
A solenidade de conclusão ocorreu no dia 9 de abril e contou com a presença do comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva. Em sua manifestação, ele destacou o papel fundamental dos sargentos na disseminação de valores e no cumprimento das diretrizes institucionais.
Até 2023, a EASA tinha como missão principal o aperfeiçoamento de sargentos das Armas do Exército, como Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações. A partir de então, passou a abranger também outras qualificações militares, ampliando sua atuação e consolidando-se como referência na formação e valorização dos graduados da Força Terrestre.
Com mais de três décadas de história, a escola se destaca pela formação técnica e pelo desenvolvimento humano de seus integrantes, resultado do trabalho conjunto de homens e mulheres que contribuíram para a consolidação da instituição.
O avanço da participação feminina no Exército Brasileiro reflete transformações sociais importantes no país, com maior igualdade de oportunidades. Nos últimos anos, políticas institucionais e mudanças culturais têm ampliado significativamente o espaço das mulheres na carreira militar.
Entre os marcos recentes, está a implementação do Serviço Militar Inicial Feminino, que possibilitou o ingresso voluntário de cerca de mil jovens em todo o Brasil, ampliando a representatividade feminina na tropa. Outro destaque em 2026 foi a promoção da primeira oficial-general da Força, a general de brigada Claudia Lima Gusmão Cacho, designada para comandar o Hospital Militar de Área de Brasília.
A trajetória das mulheres no Exército tem raízes históricas, desde Maria Quitéria, que atuou na luta pela Independência do Brasil, até as enfermeiras voluntárias da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Esses exemplos abriram caminho para novas gerações, que hoje ocupam diferentes níveis hierárquicos, incluindo formação em instituições como a Academia Militar das Agulhas Negras e o Instituto Militar de Engenharia.
O momento vivido em Cruz Alta reforça essa evolução, evidenciando o protagonismo feminino e consolidando uma nova fase de inclusão e reconhecimento dentro do Exército Brasileiro.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
