As chuvas registradas recentemente no Rio Grande do Sul proporcionaram recuperação momentânea das lavouras de soja afetadas pela falta de precipitações nas últimas semanas. A recomposição parcial da umidade do solo ocorreu em área mais abrangente, especialmente na região da Fronteira com o Uruguai e no Centro-Oeste do Estado, favorecendo a recuperação da turgidez das plantas e reduzindo, de forma temporária, os sintomas de déficit hídrico.
Apesar da melhora nas condições, a cultura ainda apresenta elevada variabilidade de potencial produtivo entre lavouras, reflexo da distribuição irregular das chuvas e da persistência de alta demanda evaporativa. Esses fatores resultaram em déficits hídricos distintos entre regiões e áreas de cultivo. Em parte das lavouras, a produtividade projetada permanece próxima à expectativa inicial, desde que haja continuidade das chuvas nas próximas semanas. No entanto, perdas já estão consolidadas em áreas submetidas a déficit hídrico prolongado, sobretudo em solos rasos e arenosos e em áreas de relevo mais elevado.
Atualmente, cerca de 85% das lavouras estão em fase reprodutiva, sendo 35% em florescimento e 50% em enchimento de grãos, período considerado crítico para definição do rendimento. Nas áreas mais afetadas, são observados sinais como senescência precoce, abortamento de flores e vagens, redução da área foliar e heterogeneidade na estatura das plantas. Em contrapartida, lavouras em solos com maior capacidade de retenção de água, como várzeas e áreas com adequada cobertura de palhada, mantêm melhores condições fisiológicas e maior potencial produtivo.
Não há pressão significativa de pragas, sendo realizados controles pontuais de ácaros, tripes e percevejos. Também há incidência de ferrugem-asiática, principalmente em locais com maior umidade, com aplicação de fungicidas e alternância de princípios ativos.
Entre as demais culturas de verão, a colheita do milho alcança 58% da área cultivada, com produtividade satisfatória e próxima à estimada inicialmente nas áreas já colhidas. As lavouras remanescentes apresentam grande variabilidade de rendimento devido à irregularidade das chuvas e ao déficit hídrico em fases críticas do desenvolvimento. Nas áreas tardias e de segunda safra, há limitações no estabelecimento e no crescimento vegetativo por conta da baixa umidade do solo e das altas temperaturas. Onde houve precipitações recentes, observa-se recuperação parcial do potencial produtivo, condicionada à continuidade das chuvas. A presença de cigarrinha é registrada em diversas regiões, com monitoramento e controles pontuais.
No milho destinado à silagem, o estresse hídrico ainda afeta muitas lavouras, embora as precipitações esparsas tenham amenizado os efeitos das altas temperaturas e da intensa radiação solar. O impacto é mais severo em áreas com manejo inadequado, enquanto talhões com solo bem estruturado e adubação ajustada apresentam rendimento satisfatório, com acúmulo adequado de biomassa e matéria seca. Já em áreas com manejo menos criterioso, a irregularidade hídrica resultou em menor estatura das plantas, redução da produção de massa verde e variações na qualidade da silagem.
A colheita do feijão de primeira safra está praticamente concluída nas regiões de plantio precoce ou intermediário. Nos Campos de Cima da Serra, onde predomina o plantio tardio, ainda há áreas em desenvolvimento, floração e enchimento de grãos. Os preços pagos ao produtor estão depreciados, o que desestimula investimentos na segunda safra. Já o feijão de segunda safra apresenta bom estabelecimento e desenvolvimento inicial, mantendo quadro considerado normal, já que as lavouras ainda não atingiram fases mais sensíveis ao estresse hídrico.
A cultura do arroz apresenta desenvolvimento fisiológico adequado, favorecido pela elevada radiação solar e pela disponibilidade hídrica satisfatória nos sistemas de irrigação. Predominam lavouras nas fases reprodutivas de floração e enchimento de grãos, com avanço gradual da colheita nas áreas mais precoces. As altas temperaturas durante a antese podem ter causado esterilidade parcial de espiguetas em algumas áreas, com possível impacto pontual no rendimento final. De modo geral, a expectativa é de produtividade dentro das estimativas iniciais, condicionada à manutenção das condições hídricas e térmicas ao longo do ciclo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
