Horas após assembleia realizada em Santos decidir pela não paralisação imediata da categoria, entidades ligadas aos caminhoneiros anunciaram a suspensão do movimento por sete dias, mantendo, no entanto, o estado de greve. A decisão ocorre após a publicação da Medida Provisória nº 1.343/2026, que trata de regras para o transporte rodoviário de cargas.
O encontro ocorreu na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam) e definiu que o movimento será reavaliado na próxima semana, após novas rodadas de negociação com o governo federal. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou que receberá representantes da categoria nos próximos dias.
De acordo com José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), a maioria dos caminhoneiros defendia a paralisação imediata, mas aceitou aguardar o prazo estipulado. Segundo ele, caso não haja avanços nas negociações, a greve poderá ser deflagrada. “Está mantido o estado de greve”, afirmou.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística informou, em nota, que a paralisação nacional está “por enquanto suspensa” e destacou que a decisão foi influenciada pela edição da medida provisória. O presidente da entidade, Paulo João Estausia, avaliou que a categoria agiu com responsabilidade ao evitar a interrupção imediata das atividades.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores também confirmou a suspensão da greve geral até nova reunião com o governo, destacando que a decisão está condicionada ao avanço das negociações, especialmente em temas como preço do diesel, frete e fiscalização do piso mínimo.
Entre os pontos centrais da nova medida está a obrigatoriedade do registro de todas as operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que permitirá à Agência Nacional de Transportes Terrestres fiscalizar o cumprimento do piso mínimo do frete.
O texto prevê multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela. Em caso de reincidência, poderá haver suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) ou até cancelamento da autorização por até dois anos.
Além disso, o governo federal publicou o Decreto nº 12.883/2026, que estabelece diretrizes para a definição do preço de referência do diesel.
Em Santa Catarina, onde havia previsão de paralisação a partir desta semana, o movimento foi desmobilizado. Antes disso, a Justiça Federal determinou a proibição de bloqueios nas rodovias BR-101 e BR-470, além dos acessos ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, com previsão de multa em caso de descumprimento.
Apesar da suspensão temporária, lideranças reforçam que o estado de greve segue ativo, e que uma nova paralisação nacional poderá ocorrer caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas pelo governo.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
