O resultado das eleições brasileiras ganhou destaque no Wall Street Journal. Em uma extensa reportagem publicada após a votação, o jornal americano analisou o desempenho da família Bolsonaro e apontou que o resultado eleitoral representa mais do que uma recuperação política do grupo, refletindo uma transformação que vem ocorrendo no Brasil há mais de uma década.
Assinada pela correspondente Samantha Pearson, a reportagem, intitulada “Como a família Bolsonaro fez um retorno político meteórico no Brasil”, destaca que, mesmo com Jair Bolsonaro fora da disputa eleitoral, integrantes de sua família conquistaram posições importantes nas eleições de 2026.
Entre os principais pontos da análise está a frase “Bolsonaro não é apenas um homem, mas uma ideia”. Segundo o jornal, a avaliação de cientistas políticos resume a percepção de que o movimento associado ao ex-presidente ultrapassou a figura individual de Jair Bolsonaro e passou a representar uma identidade política entre uma parcela significativa do eleitorado brasileiro.
A reportagem aponta que as mudanças que contribuíram para esse cenário são anteriores à ascensão de Bolsonaro. O crescimento das igrejas evangélicas, as preocupações com a segurança pública, as mudanças geracionais e a expansão econômica e política do agronegócio são apresentados como fatores relacionados ao fortalecimento do conservadorismo no país.
O Wall Street Journal também destaca o crescimento da população evangélica brasileira, que atualmente representa mais de um quarto da população, segundo dados citados na reportagem, contra cerca de 9% em 1991.
Outro aspecto analisado é a mudança na relação dos brasileiros com a identificação política de direita. Segundo o jornal, após o fim do regime militar, em 1985, assumir publicamente essa posição carregava determinado estigma. Essa realidade teria mudado com o surgimento de uma geração sem memória direta da ditadura, cuja percepção política passou a ser influenciada por questões como corrupção, segurança pública e crises econômicas.
Nesse contexto, a reportagem avalia que Jair Bolsonaro não criou sozinho o conservadorismo brasileiro, mas conseguiu dar expressão política a tendências que já estavam presentes na sociedade, contribuindo para transformá-las em uma identidade política organizada e eleitoralmente relevante.
O analista Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, ouvido pelo jornal, afirma que “o Brasil de hoje é um país de centro-direita”. Ele também relaciona as mudanças culturais ao crescimento do agronegócio, das igrejas evangélicas, da música sertaneja e de novos centros de consumo.
A reportagem também aborda a polarização em torno de Flávio Bolsonaro e observa que parte significativa do eleitorado afirma não votar nele. Ao mesmo tempo, destaca a força do sobrenome Bolsonaro entre os eleitores identificados com a direita.
Por fim, o jornal analisa possíveis impactos institucionais de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, incluindo discussões envolvendo Jair Bolsonaro, possíveis medidas de anistia e mudanças futuras na composição do Supremo Tribunal Federal.
A análise do Wall Street Journal apresenta, assim, o resultado eleitoral de 2026 dentro de um processo mais amplo de transformação política e social do Brasil, no qual o bolsonarismo, segundo a reportagem, passou a representar algo que vai além da figura individual de Jair Bolsonaro.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Wall Street Journal
