Os acidentes de trânsito com mortes registrados em Passo Fundo ao longo de 2026 também mobilizam a Polícia Civil em investigações criminais. Sempre que uma ocorrência termina com vítima fatal e há possibilidade de responsabilidade de um condutor, é instaurado um Inquérito Policial para esclarecer as circunstâncias da colisão e verificar se houve crime.
De acordo com a delegada Daniela de Oliveira Mineto, responsável pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Passo Fundo, os casos são inicialmente investigados como homicídio culposo na direção de veículo automotor. Durante as apurações, os policiais buscam identificar se houve negligência, imprudência ou imperícia por parte do motorista ou se as circunstâncias afastam a responsabilidade criminal.
Entre os elementos analisados estão imagens de câmeras de monitoramento, sinalização existente no local, dinâmica da colisão e depoimentos de testemunhas. Conforme a complexidade de cada ocorrência, também podem ser solicitadas perícias específicas, como o cálculo da velocidade dos veículos envolvidos, além de exames toxicológicos e de alcoolemia, inclusive na vítima, quando necessário para esclarecer os fatos.
Acidentes fatais marcaram Passo Fundo em 2026
Entre os casos de maior repercussão neste ano está a morte de um ciclista atropelado por um veículo na Avenida Brasil, no bairro Boqueirão. A investigação busca esclarecer a dinâmica do atropelamento e as circunstâncias que provocaram a morte.
Outro acidente ocorreu na Avenida Brasil, no bairro Petrópolis, onde um motociclista morreu após uma colisão entre a moto e um automóvel. As apurações procuram determinar como aconteceu o impacto e se houve alguma conduta que possa caracterizar responsabilidade criminal.
Também causou comoção a morte de um menino de sete anos, atropelado por um ônibus no bairro Jardim América. Assim como nos demais casos, a definição de eventual responsabilidade depende da análise das provas técnicas e das circunstâncias do acidente.
Segundo a Polícia Civil, mesmo quando as circunstâncias iniciais parecem evidentes, a responsabilização criminal exige a análise dos elementos reunidos durante a investigação e a reconstrução da dinâmica da ocorrência.
Legislação prevê penas mais graves em determinadas situações
Conforme a delegada Daniela Mineto, quando fica comprovada a responsabilidade do motorista e há condenação por homicídio culposo na direção de veículo automotor, a pena prevista é de dois a quatro anos de detenção, além da suspensão ou proibição de obter habilitação para dirigir.
A legislação prevê aumento de pena em determinadas circunstâncias, como quando o condutor não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH), comete o crime em faixa de pedestres ou calçada, deixa de prestar socorro à vítima ou exerce atividade profissional conduzindo veículo de transporte de passageiros.
Nos casos em que o motorista está sob influência de álcool e a embriaguez está relacionada ao resultado morte, a pena prevista é mais grave: de cinco a oito anos de reclusão, além das demais consequências legais.
Polícia Civil destaca que a maioria dos casos é esclarecida
A delegada ressalta que a maioria das ocorrências é esclarecida, especialmente porque, em muitos casos, já existe uma identificação inicial dos envolvidos desde o atendimento do acidente. O trabalho investigativo consiste em reunir provas para determinar como os fatos aconteceram e se existe responsabilidade criminal.
Mesmo quando a investigação aponta que não houve crime por parte do motorista, o procedimento não é simplesmente encerrado pela Polícia Civil. Após a instauração do inquérito, eventual arquivamento depende de análise e decisão judicial, conforme as regras legais aplicáveis.
Dessa forma, cada acidente fatal passa por uma análise individualizada, com o objetivo de esclarecer as causas da ocorrência, identificar os fatores que contribuíram para a morte e determinar se houve conduta criminosa.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Rádio Uirapuru
