Após o forte temporal que atingiu o município de Cruz Alta no final da tarde de quinta-feira (19), a sexta-feira (20) começou com instabilidade e chance de chuva em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Ao longo do dia, a tendência é de concentração da instabilidade sobre a metade Norte do Estado, com precipitações pontuais que podem provocar temporais isolados, acompanhados de rajadas de vento.
Na metade Sul gaúcha, após um início de dia instável em algumas localidades, o sol aparece entre nuvens ao longo do período. Ao anoitecer, não está descartada a ocorrência de chuva isolada, embora em poucos pontos da região. Apesar da permanência do tempo quente, o calor perde intensidade na maioria das localidades. Em Cruz Alta, a temperatura mínima registrada na manhã desta sexta-feira foi de 21°C, enquanto a máxima prevista deve alcançar os 29°C.
O temporal de quinta-feira deixou um rastro de danos em pelo menos oito municípios das regiões Norte e Noroeste do Estado, conforme balanço divulgado pela Defesa Civil do Estado. No Noroeste, o cenário mais crítico foi registrado em Palmeira das Missões. Segundo o prefeito Evandro Massing, o município chegou a ficar sem fornecimento de energia elétrica e água, com restabelecimento gradual dos serviços iniciado na manhã desta sexta-feira.
De acordo com a Defesa Civil, mais de 200 unidades habitacionais tiveram danos, além de avarias em um ginásio poliesportivo. Estabelecimentos comerciais registraram alagamentos pontuais devido ao acúmulo de água das chuvas, enquanto quedas de árvores provocaram obstrução de vias na área urbana e na zona rural. O hospital local também entrou em situação de atenção por estar com baixo estoque de diesel para manter o funcionamento do gerador, tornando o abastecimento prioridade. Conforme a Secretaria Estadual da Saúde, até as 21h30min de quinta-feira o equipamento seguia em operação.
O Corpo de Bombeiros informou que diversas residências ficaram destelhadas e que, até as 20h30min, mais de 300 famílias haviam solicitado lonas. A concessionária CPFL RGE informou que cerca de 85 mil clientes das regiões Central, Missões, Norte e Planalto ficaram sem energia elétrica após o temporal, sendo que, até as 21h30min, o fornecimento havia sido restabelecido para 29 mil pontos.
Outros municípios também registraram ocorrências. Em Chiapetta houve queda de galhos, poste de energia e danos no telhado de um galpão.
Em Doutor Maurício Cardoso foram registrados prejuízos no telhado de uma fábrica de carretas. Em Pejuçara houve danos em telhados, alagamentos em vias e queda de galhos. No Norte, Entre-Rios do Sul registrou danos em residências, em uma oficina e em uma escola municipal, além de queda de árvores com obstrução parcial de vias. Três Palmeiras reportou estragos em telhados na reserva indígena da Linha Forqueta e em uma escola municipal. Na região das Missões, São Nicolau informou queda de galhos, poste e fiação, danos em residências e galpões e a destruição de uma estufa. Já na Fronteira Oeste, Uruguaiana registrou queda de árvore e pontos de alagamento.
A Defesa Civil emitiu às 18h de quinta-feira um alerta laranja, que indica alto grau de periculosidade para tempo severo, abrangendo cidades como Marau, Getúlio Vargas, Passo Fundo, Pontão, Sarandi, Nonoai, Palmeira das Missões e regiões próximas. A previsão apontou volumes de chuva entre 30 e 60 milímetros, podendo chegar a 100 mm, acompanhados de ventos intensos com rajadas de até 100 km/h e possibilidade de granizo, mantendo o risco de novos cortes de energia elétrica, danos em plantações, queda de árvores e alagamentos.
Entre as orientações repassadas à população, a Defesa Civil recomenda evitar exposição durante os fenômenos, manter-se abrigado durante temporais, verificar as condições dos trajetos antes de sair de casa, avaliar locais seguros para estacionar veículos e preparar um kit de emergência com documentos e itens essenciais. Moradores de áreas com histórico de alagamentos ou deslizamentos devem buscar informações junto à Defesa Civil municipal e acompanhar os alertas meteorológicos e orientações oficiais.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
