Na manhã desta quinta-feira, 22 de janeiro, o programa Giro da Notícia, apresentado pelo comunicador Rodrigo Oliveira, trouxe um relato aprofundado sobre a atuação do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul durante as enchentes históricas que atingiram o Estado. O entrevistado foi o soldado bombeiro militar Antônio Tolfo Flores, que integrou diretamente as equipes de resposta rápida nas operações de resgate realizadas no final de abril e ao longo do mês de maio de 2025.

Natural de Pejuçara, Flores construiu sua trajetória profissional no Corpo de Bombeiros passando por diferentes municípios. Após a formação, atuou inicialmente em Lagoa Vermelha, permanecendo depois por cerca de sete anos no 12º Batalhão de Bombeiro Militar, em Cruz Alta, onde teve contato direto com ocorrências de grande complexidade. Atualmente, o soldado está lotado no Corpo de Bombeiros de Panambi, cidade próxima à sua terra natal e também com forte vínculo familiar, já que seu pai também é bombeiro militar e atuou por muitos anos no município.
Durante a entrevista, Flores destacou que a profissão de bombeiro vai muito além do combate a incêndios. Segundo ele, a atuação da corporação envolve prevenção, salvamento, busca, resgates em acidentes de trânsito, atendimento a desastres naturais e ocorrências envolvendo pessoas e animais. “Sempre dizemos que o melhor caminho é a prevenção. Quando ela falha e o acidente acontece, entramos em ação com técnica, preparo e protocolos bem definidos”, afirmou.
O soldado ressaltou ainda a qualificação do efetivo do Corpo de Bombeiros da região, citando o trabalho desenvolvido pelas guarnições que atendem Tapera e municípios vizinhos, com profissionais preparados para responder com eficiência às mais diversas situações de emergência.

Outro ponto abordado na conversa foi a participação de Flores no processo de habilitação da Força Nacional de Segurança Pública. Ele explicou que a Força Nacional é um projeto do governo federal criado em 2004, que reúne profissionais de segurança pública de todo o país para atuar em situações excepcionais. Em 2021, Flores realizou a habilitação, passando por testes físicos e treinamentos específicos tanto para ações de garantia da lei e da ordem quanto para operações de busca e salvamento. O curso teve duração aproximada de 22 dias e o capacitou para atuar em grandes operações no território nacional e, se necessário, em apoio a nações amigas.
Ao falar sobre as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o soldado descreveu um cenário que surpreendeu até mesmo profissionais experientes. Ele relembrou que já havia atuado na enchente de 2023, concentrada principalmente no Vale do Taquari, mas destacou que o evento de 2025 superou todas as expectativas em termos de magnitude e destruição. “Em 2023, já era algo que nunca tinha acontecido daquela forma. Em 2025, ficou claro desde o início que seria maior. Infelizmente, acabou sendo”, relatou.

Flores contou que integrou uma equipe de força de resposta rápida, sendo deslocado para regiões como Candelária, Arroio do Meio e, posteriormente, áreas da Região Metropolitana, incluindo Porto Alegre e Canoas. O deslocamento até os locais de atuação, segundo ele, foi extremamente difícil, com estradas obstruídas por desmoronamentos, quedas de barreiras e pontos completamente alagados. Em alguns casos, trajetos que normalmente levariam poucas horas exigiram desvios longos, passando até por outros estados, como Santa Catarina, para possibilitar o acesso.
O soldado comparou o cenário encontrado a imagens de zonas de guerra, com prédios destruídos, muita lama, sujeira e comunidades inteiras devastadas. Apesar disso, destacou que o Corpo de Bombeiros já possui protocolos específicos para incidentes de grande vulto, como o Sistema de Comando de Incidentes, que permite organizar as ações, definir lideranças, estabelecer prioridades e garantir a segurança das equipes e das vítimas. “A primeira missão é sempre estabilizar o local e manter todos em segurança. Depois, seguimos as diretrizes técnicas para cada tipo de ocorrência”, explicou.
Durante as operações, além do trabalho técnico dos bombeiros, Flores ressaltou a importância da atuação da população civil, que se mobilizou de diversas formas. Embora tenha alertado para os riscos de pessoas sem treinamento tentarem atuar diretamente em áreas de correnteza ou estruturas instáveis, ele destacou a solidariedade demonstrada em todo o Estado. Doações, campanhas, envio de mantimentos, produtos de limpeza e arrecadações financeiras marcaram o período. “Foi um evento que solidarizou todo o Rio Grande do Sul, e até o Brasil, em prol de quem foi atingido”, afirmou.
Ao longo da entrevista, o soldado também detalhou as diferentes frentes de atuação do Corpo de Bombeiros Militar, que envolvem salvamentos terrestres, em altura e aquáticos. Isso inclui desde resgates em acidentes de trânsito com vítimas presas às ferragens, buscas por pessoas desaparecidas em áreas de mata, salvamentos em deslizamentos e soterramentos, até operações de mergulho em buscas subaquáticas. Segundo ele, para cada situação existem protocolos e treinamentos específicos, o que garante maior eficiência e segurança nas ações.
Encerrando a entrevista, Rodrigo Oliveira agradeceu a participação do soldado Antônio Tolfo Flores, destacando o respeito e o reconhecimento pelo trabalho desempenhado pelos bombeiros militares. Flores, por sua vez, agradeceu o espaço, cumprimentou os ouvintes e reforçou o compromisso da corporação em seguir atuando com profissionalismo, preparo técnico e dedicação à proteção da vida.
Texto e informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Rádio Planetário
