A semeadura do arroz no Rio Grande do Sul encontra-se em fase final e já alcança cerca de 97% da área prevista para a safra, conforme aponta o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na última quinta-feira (1). O avanço dos trabalhos ocorreu em um período marcado por chuvas frequentes e de elevado volume, fator que limitou as operações de campo, principalmente nas áreas de plantio tardio e na realização de tratos culturais.
De acordo com o levantamento, aproximadamente 97% das lavouras estão em fase de desenvolvimento vegetativo, enquanto 3% já ingressaram no período reprodutivo, com início da floração nas áreas mais precoces. A elevada nebulosidade registrada ao longo do período reduziu o aproveitamento da radiação solar, refletindo em crescimento vegetativo moderado em algumas regiões. Ainda assim, o estabelecimento das lavouras é considerado adequado de forma geral.
As precipitações contribuíram para a recuperação e a manutenção dos mananciais, diminuindo a necessidade imediata de irrigação suplementar e ampliando a reserva hídrica disponível para o ciclo da cultura. Em contrapartida, foram registrados alagamentos pontuais em estradas rurais e lavouras localizadas em áreas mais baixas, especialmente no Centro do Estado, ocasionando danos localizados em taipas e prejuízos à logística e ao manejo técnico das áreas cultivadas.
A área total destinada ao cultivo de arroz no Rio Grande do Sul está estimada em 920.081 hectares, segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). A produtividade média projetada para a safra é de 8.752 quilos por hectare, conforme estimativa da Emater/RS-Ascar.
Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, as chuvas frequentes prejudicaram o andamento das atividades de campo e provocaram danos pontuais em taipas. A semeadura já foi concluída em municípios como Manoel Viana, Rosário do Sul e São Borja, enquanto em Itaqui os trabalhos estão em fase de conclusão. Em São Gabriel, diante da retração nos preços do arroz, parte dos produtores tem recorrido à comercialização de remanescentes da safra anterior para custear despesas operacionais e a aquisição de insumos. Em Bagé, projeta-se uma redução aproximada de 5% na área cultivada.
Na região de Pelotas, as lavouras seguem predominantemente em fase vegetativa, com manejo contínuo de irrigação, adubação e controle fitossanitário, sem registro de danos significativos causados pelas chuvas. Em Santa Maria, a semeadura já supera 96% da área estimada, embora ainda haja incerteza quanto à confirmação da área final. As chuvas intensas têm dificultado aplicações de adubação de cobertura e defensivos agrícolas, exigindo ajustes no manejo por parte dos produtores.
Na região de Santa Rosa, as precipitações não causaram prejuízos às lavouras, favorecidas pela baixa umidade inicial do solo, e o desenvolvimento da cultura é considerado satisfatório. No entanto, a redução no uso de insumos, especialmente fertilizantes, pode resultar em produtividade inferior a 8.000 quilos por hectare. Já na região de Soledade, as lavouras apresentam bom estabelecimento e desenvolvimento inicial, com áreas mais precoces ingressando na fase reprodutiva e sem registro de problemas fitossanitários relevantes até o momento.
No mercado, o preço médio da saca de 50 quilos de arroz no Estado apresentou alta de 2,78% na comparação semanal, passando de R$ 52,53 para R$ 53,99, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
