A semeadura da soja no Rio Grande do Sul alcançou 93% da área projetada para a safra 2025/2026, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. Apesar do percentual elevado, o ritmo dos trabalhos foi desacelerado nas últimas semanas em função da recorrência de precipitações volumosas e dos curtos intervalos de tempo seco, que dificultaram a redução adequada da umidade do solo para a operação das semeadoras. Segundo o levantamento, houve uma desaceleração significativa do plantio justamente pela dificuldade de acesso às áreas e pelas condições inadequadas do solo.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a maior parte das lavouras já implantadas encontra-se em fase de desenvolvimento vegetativo, representando 93% da área cultivada. Outros 7% dos cultivos, considerados mais precoces, já ingressaram na fase de florescimento. As áreas semeadas no início da janela de plantio apresentam bom desempenho até o momento, favorecidas pela disponibilidade hídrica, pelas temperaturas elevadas e pela boa incidência de radiação solar ao longo do período. O informativo ressalta que as lavouras com melhor desenvolvimento estão instaladas em solos bem estruturados, com maior teor de matéria orgânica e cobertura vegetal adequada.
Em contrapartida, em áreas com solos mais compactados ou com menor proteção superficial, foram observadas ocorrências de erosão laminar e em sulcos, principalmente em lavouras que ainda se encontram em fase de emergência. Também foram registrados problemas de desuniformidade na emergência das plantas, falhas de estande e necessidade pontual de replantio, especialmente em semeaduras realizadas sob condições menos favoráveis de umidade. Esses problemas foram mais frequentes após períodos de déficit hídrico seguidos por chuvas intensas.
O informativo também destaca que, em algumas regiões do estado, especialmente no Noroeste gaúcho, os acumulados de chuva registrados em dezembro superaram a média histórica. O excesso de precipitação resultou em danos à infraestrutura rural, com prejuízos em estradas vicinais, ocorrência de alagamentos pontuais em lavouras localizadas em áreas ribeirinhas e de relevo mais baixo, além de erosão mais acentuada em coxilhas com manejo e conservação inadequados.
No aspecto fitossanitário, a Emater/RS-Ascar aponta que a incidência de pragas e doenças segue baixa na maior parte das regiões produtoras. Ainda assim, a elevada umidade do ambiente tem condicionado o manejo das lavouras, levando parte dos produtores à adoção de aplicações preventivas de fungicidas. Para a safra 2025/2026, a projeção da Emater/RS-Ascar indica o cultivo de 6.742.236 hectares de soja no Rio Grande do Sul, com produtividade média estimada em 3.180 quilos por hectare.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
