A safra de soja do Brasil em 2025/26 está estimada em um novo recorde, superando 181 milhões de toneladas, segundo projeções das consultorias Céleres e StoneX. Mesmo com a expectativa de aumento das exportações, o volume elevado de produção deve resultar em crescimento dos estoques nacionais, reforçando a posição do país como maior produtor e exportador global da oleaginosa.
A consultoria Céleres revisou sua estimativa para cima em 2,3% em relação à primeira projeção, divulgada quando a colheita ainda estava em estágio inicial. Com os trabalhos de campo já avançando na maior parte do país, a consultoria passou a estimar uma produção de 181,3 milhões de toneladas. De acordo com o analista Gabriel Santos, as lavouras apresentam desempenho favorável, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, que têm contribuído de forma decisiva para o resultado positivo da safra.
Por outro lado, a Céleres observou que as condições iniciais de colheita na Bahia ficaram levemente abaixo do esperado, o que acabou pressionando a estimativa de produção na região do Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Ainda assim, a consultoria projeta crescimento da produção de soja nessa região em relação à temporada anterior.
Na comparação com a safra 2024/25, a temporada 2025/26 deve registrar aumento de cerca de 5%, o equivalente a 8,5 milhões de toneladas adicionais. As exportações brasileiras de soja foram estimadas em 112 milhões de toneladas, acima das 108,2 milhões exportadas no ciclo anterior. Já o estoque final foi projetado em 7,8 milhões de toneladas, frente a 4,1 milhões no período passado.
Com esse cenário, a Céleres avalia que a tendência para os preços da soja ao longo de 2026 é de baixa, inclusive durante a entressafra. A consultoria destaca ainda que o ritmo lento de comercialização da produção gera preocupação quanto às margens do produtor rural, especialmente diante do aumento da oferta.
A StoneX também revisou positivamente suas projeções e elevou em 2,3% sua estimativa em relação ao mês anterior, passando a projetar uma produção de 181,6 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, o ajuste de cerca de 4 milhões de toneladas decorre tanto do aumento da área cultivada, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto da elevação da produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare.
De acordo com a especialista em Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi, as perspectivas seguem bastante positivas com o avanço da colheita, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade em função das irregularidades climáticas registradas ao longo do ciclo. Em janeiro, a consultoria estimava produtividade média de 3,66 toneladas por hectare e área cultivada de aproximadamente 48,47 milhões de hectares.
Além da soja, a StoneX também revisou suas projeções para o milho. Para o milho de primeira safra, a estimativa foi elevada em 2,3%, alcançando 26,6 milhões de toneladas, volume pouco superior ao registrado no ciclo 2024/25. Já para o milho de segunda safra, a produção foi revisada em 0,5%, chegando a 106,3 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, houve aumento de área cultivada nos estados do Tocantins e Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
