A Polícia Civil do Rio Grande do Sul avalia concluir o inquérito que apura o desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, mesmo sem a localização das vítimas. A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Anderson Spier.
O sumiço completa um mês nesta semana e segue cercado de mistério. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro.
As buscas foram realizadas em áreas de Gravataí e Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, além de sítios ligados à família e a familiares do ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente sob suspeita de envolvimento no caso. Até o momento, não há confirmação sobre o paradeiro dos três desaparecidos.
Segundo o delegado Anderson Spier, a remessa do inquérito não impede a continuidade das diligências. “O trabalho de localização é feito independente da remessa do inquérito. Inclusive, nós podemos remeter e continuar fazendo as diligências”, afirmou. A autoridade destacou ainda que, diante dos elementos já reunidos, a possibilidade de encontrar a família com vida é considerada remota. Novas provas podem transformar a prisão temporária do suspeito em preventiva.
Antes do desaparecimento, Silvana havia procurado o Conselho Tutelar. No dia 2 de janeiro, solicitou contato do órgão em um grupo de mensagens e, em 9 de janeiro, formalizou relato de que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho do casal. Após o desaparecimento, Cristiano também esteve no Conselho Tutelar pedindo a guarda do menino durante as investigações.
No dia 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez. Uma publicação em suas redes sociais mencionava um suposto acidente em Gramado, que, conforme a polícia, nunca ocorreu e teria sido usada para despistar o desaparecimento. Câmeras de segurança registraram movimentação atípica de veículos na residência naquela noite, incluindo a entrada e saída de carros em horários distintos.
No dia seguinte, 25 de janeiro, os pais de Silvana saíram para procurá-la após serem alertados por vizinhos. Eles tentaram registrar ocorrência, mas encontraram a delegacia fechada. Conforme a investigação, depois disso, teriam ido à casa do ex-genro. Mais tarde, vizinhos relataram ter visto o casal entrando em um carro não identificado. Desde então, não foram mais vistos.
As ocorrências de desaparecimento foram formalizadas nos dias 27 e 28 de janeiro. Em 3 de fevereiro, a polícia ouviu seis pessoas e encontrou um projétil no pátio da casa dos idosos, posteriormente identificado como cartucho de festim. No dia 5, perícia recolheu vestígios de sangue e material genético na residência de Silvana, que foram encaminhados ao Instituto-Geral de Perícias (IGP) para análise.
O celular de Silvana foi localizado em 7 de fevereiro, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais. No dia 10, Cristiano Domingues Francisco foi preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentações consideradas suspeitas. Familiares e amigos realizaram protesto em Cachoeirinha pedindo respostas.
No dia 20 de fevereiro, a polícia confirmou que o mesmo veículo entrou duas vezes na residência de Silvana na data do desaparecimento, mas não foi possível identificar a placa. O suspeito prestou depoimento e, segundo a defesa, optou por permanecer em silêncio. Ele e a atual companheira também se recusaram a fornecer as senhas dos aparelhos celulares.
O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, foi procurado pela reportagem, e o posicionamento da defesa ainda é aguardado. Enquanto isso, as investigações seguem em andamento na tentativa de esclarecer o destino da família Aguiar.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
