A investigação sobre o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, avançou com a confirmação de vestígios de sangue encontrados na residência da mulher, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A informação foi confirmada pelo delegado Anderson Spier à RBS TV nesta sexta-feira (6). Os três familiares não são localizados há mais de dez dias, e o caso é tratado oficialmente como crime.
O material genético foi coletado na quinta-feira (5) durante trabalho pericial realizado na casa de Silvana. Além do imóvel da mulher, também passaram por perícia dois veículos da família e a residência dos pais. Segundo o delegado, foram encontrados diversos vestígios relevantes para a investigação. “Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais. Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos e agora seguem para análise no laboratório do Instituto-Geral de Perícias”, explicou Spier.
Conforme a polícia, o sangue foi localizado no interior do banheiro da casa de Silvana e também em uma área nos fundos da residência. Apesar disso, os peritos não identificaram sinais de luta corporal nem indícios de que o local tenha sido alterado para simular uma cena. “Os peritos entenderam que o local estava íntegro. Não tinha nenhuma alteração que sugerisse alguma espécie de luta dentro da residência”, afirmou o delegado.
Até o momento, pelo menos dez pessoas já prestaram depoimento no inquérito, entre elas o ex-marido de Silvana. A polícia segue trabalhando com linhas de investigação que apontam para homicídio ou cárcere privado.
Casa dos pais e veículos também passaram por perícia
A residência de Isail e Dalmira, onde funciona um pequeno mercado da família, também foi alvo de perícia técnica. No local, já havia sido encontrado anteriormente um projétil de arma de fogo. De acordo com o delegado Anderson Spier, o imóvel estava em perfeitas condições, sem sinais aparentes de desordem. “Tudo muito organizado”, resumiu.
Os veículos pertencentes ao casal e à filha também foram analisados pelos peritos. Segundo a polícia, não foram encontrados vestígios de sangue ou outros indícios relevantes nos carros. “Foram feitas as perícias nos dois veículos. Não há vestígio, nem de sangue nem de nada. Só impressões digitais, provavelmente dela, no volante, na porta”, detalhou o delegado.
Spier explicou ainda que a solicitação das perícias ocorreu somente na quarta-feira, após a definição mais clara das linhas de investigação, o que permitiu direcionar o trabalho técnico de forma mais precisa.
Entenda o caso
O desaparecimento teve início no sábado, 24 de janeiro, quando Silvana publicou em uma rede social que havia sofrido um acidente de trânsito enquanto retornava de Gramado, na Serra Gaúcha. Em seguida, informou que ficaria sem sinal de celular e, no dia seguinte, agradeceu pelas orações recebidas. Desde então, o telefone da mulher permanece desligado e ela não voltou a fazer contato.
Alertados por vizinhos sobre as postagens, Isail e Dalmira saíram para procurar a filha no domingo (25). Segundo a polícia, o casal chegou a ir até uma delegacia distrital para registrar o desaparecimento, mas encontrou a unidade fechada. Após isso, eles também não foram mais vistos.
A Polícia Civil confirmou que o acidente de trânsito mencionado por Silvana não aconteceu e descarta a hipótese de sequestro, já que não houve qualquer pedido de resgate. O carro da mulher foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não teria viajado.
Imagens de câmeras de segurança registraram uma movimentação considerada atípica na noite de 24 de janeiro. Às 20h34, um carro vermelho entrou na residência de Silvana e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo da própria Silvana entrou na garagem. Mais tarde, por volta das 23h30, outro automóvel chegou ao local, permaneceu por cerca de 12 minutos e foi embora. A polícia investiga se era Silvana quem dirigia seu carro e trabalha para identificar os demais veículos, que podem ser o mesmo automóvel em horários distintos.
Silvana é filha única do casal, mora nas proximidades da casa dos pais e se apresenta como vendedora de cosméticos. Ela é mãe de um menino de 9 anos, que estava com o pai no fim de semana em que ocorreu o desaparecimento. A mulher também trabalhava com os pais no pequeno mercado da família. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos por parentes e vizinhos como pessoas tranquilas, queridas na comunidade e que mantinham um bom relacionamento com a filha.
As investigações seguem em andamento, e a polícia aguarda o resultado das análises laboratoriais para esclarecer o que aconteceu com a família.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1
