A Patrulha Ambiental da Brigada Militar desarticulou, na terça-feira (25), um esquema clandestino de compra, transporte e reutilização de embalagens de agrotóxicos em Cruz Alta. A operação foi deflagrada após uma investigação detalhada conduzida pelo comandante do Pelotão Ambiental do município, 1º Tenente Fernando Hochmuller, com apoio do policiamento de Salto do Jacuí. Dois caminhões carregados com galões usados foram apreendidos, e os responsáveis acabaram presos em flagrante.
A investigação teve início a partir de denúncias antigas que indicavam a movimentação irregular das embalagens vazias de defensivos agrícolas. Com monitoramento contínuo e a atuação conjunta das equipes de Cruz Alta e Salto do Jacuí, os policiais interceptaram os caminhões, que transportavam grande quantidade de recipientes destinados a uma empresa recicladora de Espumoso. Conforme apurado, a empresa triturava ilegalmente o material e revendia o plástico para outra companhia no município de Mormaço.
A partir da apreensão, foi identificado o ponto de origem da carga: um posto de recebimento de embalagens de agrotóxicos em Cruz Alta licenciado pela Fepam. O local tinha a obrigação de recolher os recipientes entregues por agricultores e encaminhá-los ao Inpev, responsável pelo destino ambientalmente seguro desses resíduos. No entanto, um funcionário do próprio posto vendia clandestinamente as cargas ao grupo criminoso. A estimativa é de que o esquema operava havia cerca de seis meses, período em que aproximadamente 18 cargas foram desviadas de forma ilegal.
Para o Tenente Hochmuller, o caso representa um risco severo à saúde pública e ao meio ambiente. Ele reforça que embalagens de agrotóxicos são altamente tóxicas e não podem ser recicladas para uso comum ou comercial. “Estamos falando de um material que oferece risco direto à saúde humana e ao meio ambiente. A legislação determina que essas embalagens devem retornar ao fabricante para destinação adequada”, destacou. Ainda não há informações sobre qual produto final era gerado a partir da reciclagem ilegal.
Com o avanço da apuração, os galões apreendidos serão destinados corretamente sob fiscalização da Patram. A empresa responsável pelo posto de recebimento, embora não tenha atuado diretamente no esquema, também foi autuada por não cumprir exigências da licença ambiental. Os envolvidos vão responder criminalmente, com pena prevista entre dois e quatro anos de reclusão para crimes envolvendo o manejo e destinação inadequada de embalagens de defensivos agrícolas.
A Patrulha Ambiental informa que a investigação continua e que há indícios de participação de outras pessoas e empresas no esquema. “Nosso trabalho apenas começou. Outras pontas ainda serão verificadas para que todos os responsáveis sejam identificados e responsabilizados”, afirmou o tenente. Mesmo com equipe reduzida, a Patram reforça seu papel essencial na proteção ambiental e na segurança da população.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: PATRAM
