O outono de 2026 tem início às 11h45 desta sexta-feira, 20, no horário de Brasília, trazendo mudanças no comportamento do clima em todo o país. A nova estação será marcada por redução das chuvas em grande parte do Brasil e um alívio gradual das temperaturas após o verão, embora o cenário no Rio Grande do Sul siga na contramão dessa tendência.
De acordo com a empresa de meteorologia Tempo OK, enquanto a maioria das regiões brasileiras deve registrar volumes de chuva abaixo da média histórica, o território gaúcho deve enfrentar aumento das precipitações ao longo dos próximos meses. Ainda assim, conforme explica a porta-voz Maria Clara Sassaki, os volumes previstos para maio e junho serão inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado.
Nos estados do Sul, o comportamento da chuva será desigual. Paraná e Santa Catarina devem ter redução nos acumulados entre abril e maio, com possibilidade de aumento apenas em junho. Já no Rio Grande do Sul, a tendência é de intensificação mais constante das chuvas durante a estação.
Em relação às temperaturas, o outono deve trazer uma diminuição gradual do calor, embora episódios de temperaturas elevadas ainda possam ocorrer no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, especialmente entre abril e maio. No Sudeste e no Centro-Oeste, inclusive, os termômetros devem permanecer acima da média para a estação.
No Sul, por outro lado, há previsão de temperaturas abaixo da média em junho. As primeiras ondas de frio mais intensas no Centro-Sul do país devem ocorrer apenas na segunda metade do outono. Segundo a meteorologista, esses episódios tendem a ser fortes, porém de curta duração, com alternância entre dias frios e períodos mais quentes.
O mês de maio deve concentrar as maiores anomalias de temperatura máxima, especialmente na cidade de São Paulo e no interior paulista. Já junho deve marcar a chegada das primeiras massas de ar frio mais significativas.
Outro ponto de atenção é o risco de insuficiência hídrica no Sudeste e no Centro-Oeste. Com a previsão de chuvas abaixo da média e os baixos níveis dos reservatórios após o verão, há preocupação com o abastecimento de água nessas regiões. Dados recentes indicam que o Sistema Integrado Metropolitano, na Grande São Paulo, operava com 55,7% da capacidade nesta quinta-feira, 19, abaixo do registrado no mesmo período de 2025. O Sistema Cantareira, responsável por cerca de metade do abastecimento, apresentava nível ainda mais baixo.
Segundo a Tempo OK, é comum que, durante o outono, as chuvas se tornem mais isoladas no Sudeste, enquanto se concentram com maior intensidade na região Sul. Frentes frias ainda podem avançar para outras regiões no início da estação, mas tendem a perder força ao longo do período.
No Norte e no Nordeste, os volumes de chuva devem se manter próximos aos registrados no ano passado, porém ainda abaixo da média histórica.
No cenário climático global, a tendência é de transição da La Niña para uma fase neutra do Oceano Pacífico já em abril. No entanto, os primeiros sinais do fenômeno El Niño podem surgir ainda antes do fim do outono. Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, há 62% de probabilidade de formação do fenômeno entre junho e agosto, índice que sobe para 80% entre agosto e dezembro.
Caso o El Niño se confirme, a previsão é de chuvas acima da média no Sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul no final da estação, especialmente se houver também aquecimento das águas do Oceano Atlântico Sul, o que pode intensificar ainda mais os volumes de precipitação nessas regiões.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
