A ofensiva policial é resultado de um trabalho investigativo conduzido pela Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas (DRFC), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Durante a operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Alvorada, Canoas, Gravataí e Balneário Pinhal. Aproximadamente 80 policiais civis participaram da ação, que contou ainda com apoio da Brigada Militar.
O nome da operação, “Stagnum”, termo em latim que significa açude ou poço de águas paradas, faz referência direta ao principal ponto de articulação da quadrilha. Conforme a Polícia Civil, o chamado “quartel-general” do grupo estava localizado na região do Açude, em Alvorada, onde funcionava o centro de organização logística e operacional das ações criminosas.
Entre os crimes atribuídos à organização, destaca-se o roubo ocorrido em 7 de novembro de 2025, em Canoas, quando quatro caminhões carregados com latas de tinta foram subtraídos. A ação chamou a atenção dos investigadores pelo elevado grau de planejamento, sofisticação e indícios de possível auxílio interno para a execução do crime.
A análise de imagens de câmeras de monitoramento revelou uma operação altamente coordenada. Os criminosos utilizaram veículos clonados, entre eles um Volkswagen Polo e um Chevrolet Onix, além de um Renault Sandero, que atuava como batedor e realizava a segurança perimetral do comboio durante o deslocamento. Parte da carga roubada foi posteriormente localizada em um galpão abandonado no município de Canoas.
No avanço das investigações, os policiais também identificaram dois suspeitos que comercializavam tintas da mesma marca e do mesmo lote das cargas roubadas por meio de plataformas online. Os produtos eram oferecidos a preços muito inferiores aos praticados no mercado, o que reforçou a ligação direta com os roubos investigados.
As apurações indicam ainda que a organização criminosa possuía uma estrutura baseada em um núcleo familiar, liderado por uma matriarca com extensa ficha criminal. O grupo utilizava um complexo de residências interligadas, em Alvorada, tanto para o transbordo e armazenamento das cargas roubadas quanto para a prática de outros crimes, incluindo tráfico de drogas. Um dos veículos empregados na logística dos roubos estava registrado em nome da mãe de um dos integrantes da quadrilha, que também possui antecedentes policiais.
A Operação Stagnum teve como objetivos centrais a apreensão de bens e produtos de origem criminosa, o recolhimento de instrumentos utilizados nos delitos, a coleta de novas provas para robustecer o inquérito policial e, principalmente, a desarticulação da organização criminosa, visando neutralizar suas atividades e reduzir os crimes de roubo de carga na Região Metropolitana.
