POR: JOÃO VICTOR C. DOS SANTOS, ESTUDANTE DE CIÊNCIA POLÍTICA E HISTÓRIA. FUNDADOR E LÍDER DO GRUPO BARÕES DA RESTAURAÇÃO. MANTENEDOR DO SITE BRUMAS DO PASSADO.
Quem se lembra do programa promovido pelo SBT, “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, deve recordar sobre o quanto esta pergunta fez burburinho na época. Quem seriam as pessoas que definem o Brasil e sua relevância para a fundação e história? Nomes como Machado de Assis, Carlos Gomes, Joaquim Nabuco e Princesa Isabel certamente deveriam ser lembrados de imediato pelas pessoas, como grandes homens e mulheres da nossa terra. Infelizmente, o que vemos naquele programa foi certamente um retrato do desconhecimento histórico do povo e do próprio entendimento do que é ser um contribuinte para o progresso do país.
Com todo o respeito àqueles que foram votados bem como a seus trabalhos, mas colocar Rodrigo Faro à frente de Machado de Assis, Eike Batista na frente de Ruy Barbosa ou Edir Macedo na frente de Zilda Arns, só demonstra o quanto a república matou nossa capacidade de reconhecer os verdadeiros heróis da Pátria. E dentre esses muitos absurdos, aquele que foi um dos maiores monarcas da história, e que recentemente completou seu bicentenário de nascimento, colocar Dom Pedro II na 27ª posição só atestava que o Brasil já não conhece mais um estadista verdadeiro.
Dom Pedro II foi mais do que o último imperador do Brasil: foi um verdadeiro estadista, cuja visão de futuro se apoiava na ciência, na cultura e na educação. Poliglota, erudito e curioso, mantinha correspondência com os maiores intelectuais de seu tempo, incentivou a criação de instituições científicas e culturais que ainda hoje sustentam o país, e defendia que sem educação não haveria cidadania plena. Seu reinado garantiu estabilidade política por quase meio século, e sua postura firme contra a escravidão demonstrava um compromisso com a liberdade e o progresso. Ao ser relegado à 27ª posição em um ranking popular, o que se revela não é a pequenez de Dom Pedro II, mas sim a incapacidade de nossa memória coletiva em reconhecer aquele que foi, talvez, o maior brasileiro da nação.
É curioso notar que, mesmo após sua deposição e exílio, Dom Pedro II jamais deixou de se preocupar com o destino do Brasil. Em Paris, viveu com simplicidade, dedicando-se aos livros e às artes, e recusando qualquer ostentação que lembrasse seu trono deposto. Sua morte, em 5 de dezembro de 1891, foi acompanhada por manifestações de pesar em todo o mundo. O governo francês lhe concedeu honras de Chefe de Estado, e o velório na Igreja de La Madeleine reuniu representantes de diversas monarquias e delegações internacionais. Apesar da chuva e do frio intenso, cerca de 300 mil pessoas acompanharam o cortejo pelas ruas de Paris. Em seu caixão, repousava um pequeno saco com terra retirado do Brasil, simbolizando sua ligação eterna com a pátria. Posteriormente, foi sepultado em Lisboa, no Panteão da Dinastia de Bragança, até que seus restos mortais retornaram ao Brasil em 1921, para repousar na Catedral de Petrópolis, quando o exílio imposto pela república finalmente foi derrubado.
Ao relegar Dom Pedro II ao esquecimento, o Brasil não apenas ignora sua própria história, mas também renuncia ao exemplo de liderança que poderia inspirar nosso presente. Em tempos de crises e incertezas, recordar o imperador que fez da ciência, da cultura e da educação os pilares de sua visão de país é mais do que um exercício de memória: é um chamado à responsabilidade. Se quisermos reencontrar o caminho do progresso, precisamos resgatar a grandeza de quem já nos mostrou que o futuro se constrói com conhecimento, liberdade e compromisso com a nação.
“Deus que me conceda esses últimos desejos — Paz e Prosperidade para o Brasil.” (Dom Pedro II)
