O número de mortes causadas pela falta do uso do cinto de segurança voltou a acender um alerta nas rodovias federais do Rio Grande do Sul. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que, até o dia 21 de dezembro de 2025, 261 pessoas morreram em acidentes no Estado, sendo que 67 delas não utilizavam o cinto de segurança. O total representa um aumento de quase 10% em comparação com o mesmo período de 2024.
Os números foram divulgados no contexto do início da Operação Natal, primeira etapa da Operação Rodovida, lançada nesta terça-feira (23) pela PRF em todo o país. A ação intensifica a fiscalização e as atividades educativas nas rodovias federais, com foco principal no uso do cinto de segurança e dos dispositivos de retenção para crianças, considerados fundamentais para a redução de mortes no trânsito.
Em âmbito nacional, a situação também preocupa. De janeiro a novembro de 2025, 710 pessoas morreram em acidentes de trânsito sem utilizar o cinto de segurança no Brasil, um aumento de 3,64% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a PRF registrou mais de 164 mil infrações por não uso do equipamento, envolvendo motoristas e passageiros — uma média de 493 flagrantes por dia nas rodovias federais. A conduta é classificada como infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
No Rio Grande do Sul, o levantamento da PRF mostra que, em 26% dos acidentes fatais registrados em 2025, ficou comprovado que as vítimas estavam sem cinto de segurança, o equivalente a uma em cada quatro mortes. Em 2024, esse índice era de 21%, o que reforça a gravidade do cenário atual.
Apesar da redução no número de autuações, a PRF alerta que isso não significa maior conscientização. Até novembro de 2025, foram aplicadas 24.564 multas por falta do uso do cinto de segurança nas rodovias federais gaúchas, uma queda de cerca de 15% em relação ao ano anterior. Para a corporação, a diminuição das autuações pode estar relacionada a outros fatores e não reflete, necessariamente, mudança de comportamento dos condutores.
A vulnerabilidade das crianças no trânsito também segue sendo motivo de preocupação. Em 2025, 16 crianças morreram por estarem sendo transportadas sem o uso correto de dispositivos de retenção, como bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação. Em 2024, foram registradas 17 mortes nas mesmas condições. Mesmo com a legislação em vigor, as infrações por transporte irregular de crianças ultrapassaram 20 mil autuações até novembro deste ano, sendo classificadas como infração gravíssima.
A Operação Rodovida – Natal integra o Programa Rodovida, coordenado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e seguirá até o período de Carnaval. A iniciativa faz parte do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que tem como meta reduzir em 50% o número de mortes no trânsito até 2030.
Durante o período de festas de fim de ano e férias, a PRF reforça orientações básicas aos motoristas, como revisar o veículo antes de viajar, respeitar os limites de velocidade, não consumir álcool ao dirigir, evitar o uso do celular ao volante e, principalmente, utilizar corretamente o cinto de segurança e os dispositivos obrigatórios. Segundo a corporação, o cinto continua sendo uma das medidas mais simples e eficazes para salvar vidas nas rodovias brasileiras.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
