Modelos climáticos analisados pelo Meteored indicam a possibilidade de formação de um “super El Niño” até o fim de 2026, embora especialistas reforcem que ainda há incertezas quanto à intensidade do fenômeno.
De acordo com o boletim mais recente da National Oceanic and Atmospheric Administration, divulgado em 6 de abril, o oceano Pacífico equatorial central segue em processo de aquecimento. A região monitorada já atingiu níveis de neutralidade, enquanto uma massa de água quente nas camadas subsuperficiais continua avançando em direção à superfície.
A análise aponta que essa “bolha” de água quente, localizada a cerca de 300 metros de profundidade, apresenta anomalias entre +0,5°C e +6°C, criando condições cada vez mais favoráveis para o desenvolvimento do fenômeno El Niño.
Os dados recentes mostram uma transição gradual: a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 passou de -0,6°C em 18 de março para -0,2°C em 1º de abril, entrando na faixa considerada neutra. Já a região Niño 1+2, próxima à costa do Peru, atingiu o limiar de El Niño costeiro ainda em fevereiro e permanece nesse estágio.
As previsões probabilísticas também indicam aumento nas chances de formação do fenômeno. No início de março, a probabilidade de El Niño entre maio e julho era de cerca de 45%, mas na atualização mais recente já supera 70%, sinalizando maior confiança dos modelos na mudança de fase climática.
Entre os modelos que projetam um cenário mais intenso está o do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, que aponta possibilidade de anomalias superiores a +2°C no segundo semestre. Em alguns cenários, os valores se aproximam ou ultrapassam +3°C por volta de outubro, o que poderia caracterizar um evento de grande intensidade, conhecido como “super El Niño”.
Apesar disso, especialistas alertam que interpretações isoladas podem levar a conclusões precipitadas. Avaliações mais amplas, como as do International Research Institute for Climate and Society, indicam um cenário mais moderado, com pico de intensidade na primavera e anomalias próximas de +1,5°C, classificação entre forte e muito forte, mas distante das projeções mais extremas.
A diferença entre esses cenários pode representar impactos climáticos bastante distintos em diversas regiões do planeta. Por isso, o comportamento do fenômeno ainda será acompanhado nas próximas rodadas de previsão, previstas para as próximas semanas, à medida que novas informações sobre o aquecimento do Pacífico forem incorporadas aos modelos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
