Com mais de 876.259,72 hectares semeados no Rio Grande do Sul, grande parte das lavouras de arroz deve avançar da fase vegetativa para a fase reprodutiva entre os meses de janeiro e fevereiro. Esse período é considerado decisivo para a definição da produtividade, pois concentra maior oferta ambiental de temperatura e luminosidade.
De acordo com o gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Luiz Fernando Siqueira, ainda é difícil projetar o volume total de produção da próxima safra. No entanto, a avaliação técnica indica que as lavouras estão bem estabelecidas e apresentam evolução positiva em comparação com outros anos.
Segundo Siqueira, o ritmo da semeadura ocorreu dentro da expectativa considerada normal para o cultivo do cereal. A Zona Sul do Estado se destacou como a segunda maior produtora de arroz em área semeada até o momento. A região encerrou o mês de setembro com cerca de 40% da área implantada e atingiu aproximadamente 85% até o final de outubro, período considerado o mais recomendado para a semeadura.
Já a Fronteira Oeste apresentou comportamento diferente no início do calendário. A região finalizou setembro com apenas 2% da área semeada, mas intensificou os trabalhos no mês seguinte, avançando rapidamente e encerrando outubro com elevado percentual de lavouras implantadas.
A expectativa é que os dados finais da safra sejam apresentados pelo Irga durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, programada para ocorrer entre os dias 24 e 26 de fevereiro, no município de Capão do Leão. Enquanto isso, o setor ainda reflete os impactos de um ano considerado crítico, marcado pelos baixos preços pagos aos produtores.
Mesmo com o bom desempenho da semeadura, a limitação financeira enfrentada ao longo do ano reduziu a capacidade de investimento dos agricultores. A expectativa do setor é de melhora no cenário econômico do arroz a partir de 2026, com recuperação dos preços e maior previsibilidade para os produtores.
Leilões para escoamento da produção
Diante da crise enfrentada pelo setor, o governo federal adotou medidas para auxiliar o escoamento de arroz e trigo produzidos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) promoveu leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro).
As operações viabilizaram o escoamento de aproximadamente 198,53 mil toneladas de grãos. Na última quarta-feira, foram negociadas 16,88 mil toneladas de arroz, sendo a maior parte do volume destinada diretamente aos produtores rurais. Desse total, 16,75 mil toneladas foram comercializadas por meio do Pepro, enquanto 125 toneladas ficaram a cargo de indústrias e comerciantes via PEP.
Com isso, o apoio total da Conab ao escoamento de arroz alcança 213,15 mil toneladas, considerando o incentivo à remoção de outras 196,28 mil toneladas do grão, além do volume negociado no pregão mais recente.
Nos próximos dias, a Conab realizará a análise da regularidade cadastral dos participantes e divulgará a lista dos arrematantes. Após essa etapa, serão emitidos e assinados os documentos confirmatórios das operações. Os participantes dos leilões deverão comprovar a comercialização do arroz até 29 de janeiro de 2026, enquanto a comprovação do escoamento do produto deverá ocorrer até 29 de maio do próximo ano.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
