A Polícia Civil do Rio Grande do Sul está na reta final do inquérito que apura o desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha. Faltando cerca de uma semana para a conclusão dos trabalhos, a investigação entra em uma etapa decisiva, voltada à organização e formalização das provas reunidas ao longo de mais de 70 dias de diligências.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Anderson Spier, o envio do inquérito ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) está previsto para o dia 16 de abril. Já no dia seguinte, a Polícia Civil deve divulgar parte das provas coletadas durante a apuração. Segundo ele, o momento atual é dedicado à consolidação técnica dos materiais. “Estamos organizando as provas, finalizando relatórios complexos e juntando tudo ao inquérito. É um trabalho técnico e detalhado, com centenas de páginas”, afirmou.
A principal linha investigativa aponta que o policial militar Cristiano Domingues Francisco teria premeditado o crime contra a ex-companheira, Silvana, em meio a conflitos relacionados à criação do filho. Conforme a apuração, os pais dela, Isail e Dalmira, teriam sido mortos em um segundo momento, após confrontarem o suspeito diante do desaparecimento da filha.
A hipótese da Polícia Civil é de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver. Além disso, não está descartada uma possível motivação financeira, já que o patrimônio das vítimas poderia beneficiar o filho, fator considerado relevante na investigação.
O policial está preso temporariamente desde 10 de fevereiro, com prorrogação já autorizada. A Polícia Civil solicitou a conversão da prisão em preventiva, e a decisão do Judiciário deve ocorrer até esta quinta-feira. Caso não seja aceita, o investigado poderá ser colocado em liberdade. Ainda assim, o delegado demonstra confiança na manutenção da prisão, destacando o conjunto robusto de provas reunidas.
Durante depoimento recente, o investigado e seu advogado tiveram acesso a elementos do inquérito, como registros de presença em locais suspeitos e movimentações consideradas incompatíveis, incluindo o transporte do celular da vítima dentro de uma viatura. Mesmo diante das evidências, ele optou por permanecer em silêncio.
Outras três pessoas também são investigadas por possível envolvimento em crimes relacionados ao caso. A esposa do policial é suspeita de induzir um amigo a prestar falso testemunho e de apagar dados armazenados na nuvem do celular. O irmão dele é investigado por retirar equipamentos de armazenamento de imagens, enquanto o amigo é apontado por mentir em depoimento.
Apesar da conclusão iminente do inquérito, as buscas pelos corpos das vítimas continuam. Até o momento, mesmo após diversas diligências, eles não foram localizados.
O caso teve início em 24 de janeiro, quando Silvana desapareceu. Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação de um Volkswagen Fox vermelho na residência da vítima em horários distintos da noite. Horas depois, um texto publicado em nome dela nas redes sociais relatava um suposto acidente de trânsito, que, segundo a investigação, nunca ocorreu.
No dia seguinte, os pais de Silvana desapareceram após tentarem buscar informações sobre o paradeiro da filha. Eles chegaram a procurar ajuda, mas foram vistos pela última vez ao entrar em um veículo desconhecido. O caso segue sendo um dos mais complexos investigados recentemente pela Polícia Civil no Estado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
