O desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, completou três semanas no Rio Grande do Sul, enquanto a investigação busca esclarecer uma série de pontos considerados essenciais para entender o caso ocorrido em Cachoeirinha.
A apuração conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul aponta o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, como principal suspeito. Ele está preso temporariamente desde a última terça-feira (10). Apesar da prisão, a polícia ainda tenta esclarecer circunstâncias relacionadas ao desaparecimento da família.
A última movimentação confirmada de Silvana ocorreu na noite de 24 de janeiro, quando uma publicação em suas redes sociais informou que ela teria sofrido um acidente em Gramado, mas que estaria bem. Conforme a investigação, o acidente nunca aconteceu e a postagem teria sido feita para despistar o sumiço. Desde então, o celular da vítima permanece desligado e há dúvidas sobre quem realizou a publicação.
Imagens de câmeras de segurança registraram movimentação considerada atípica na residência ligada à família naquela noite. Um carro vermelho entrou no local às 20h34 e saiu oito minutos depois. Mais tarde, às 21h28, o veículo de Silvana foi colocado na garagem. Às 23h30, outro automóvel chegou, permaneceu por cerca de 12 minutos e deixou o endereço. O carro da mulher foi encontrado com a chave dentro da casa, reforçando a suspeita de que ela não viajou. A polícia busca identificar os veículos envolvidos.
Os pais de Silvana desapareceram no dia seguinte, 25 de janeiro, após saírem para procurar a filha ao serem alertados por vizinhos sobre a publicação nas redes sociais. Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir a uma delegacia distrital para registrar o desaparecimento, mas a unidade estava fechada. Depois disso, não foram mais vistos, e o paradeiro deles permanece desconhecido.
A quebra de sigilo telefônico do suspeito foi um dos principais elementos que embasaram a prisão temporária. A polícia identificou movimentações consideradas suspeitas no aparelho dele. O celular do policial, o da mãe e o da atual companheira foram apreendidos, mas as senhas não foram fornecidas. As duas mulheres são tratadas como testemunhas.
Segundo a investigação, o suspeito também tinha a chave da casa dos idosos quando ainda prestava depoimento como testemunha. Após a prisão, vieram à tona registros atribuídos a ele, incluindo uma foto enviada de dentro da residência do casal e um áudio em que afirma ter frequentado diversas vezes imóveis ligados à família, alegando cuidar de animais deixados no local. O próprio suspeito foi quem registrou o primeiro boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Silvana.
Perícias realizadas em duas residências e em veículos encontraram vestígios de sangue no banheiro e na área externa da casa de Silvana, além de material genético e impressões digitais em diferentes pontos. Na casa dos pais, foi localizado um cartucho de festim. Os materiais recolhidos foram encaminhados ao Instituto-Geral de Perícias para análise laboratorial.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, não foram identificados sinais de luta corporal ou indícios de alteração do local que sugerissem encenação. A polícia também aguarda resultados de perícias complementares, incluindo análises em um minimercado da família e em imagens de câmeras de segurança.
A investigação trabalha com a hipótese de homicídio, considerando o histórico de conflitos entre Silvana e o ex-marido. O casal tinha um filho de 9 anos, e divergências sobre a rotina da criança haviam sido relatadas ao Conselho Tutelar. Com o desaparecimento da mãe, o menino ficou sob os cuidados da família paterna.
Até o momento, porém, a motivação exata do crime, caso a hipótese seja confirmada, e a relação direta entre os desaparecimentos ainda não foram esclarecidas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: G1
