A família de um motorista que morreu após se envolver em um acidente com uma viatura policial na RSC-101, em Osório, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, contesta a versão oficial registrada no Boletim de Ocorrência e cobra uma apuração imparcial do caso. A colisão ocorreu no dia 28 de dezembro de 2025, no km 99 da rodovia, e a vítima faleceu após 38 dias de internação.

De acordo com os familiares, o acidente aconteceu nas proximidades da propriedade do condutor. Testemunhas ouvidas pela família afirmam que ele sinalizava corretamente a manobra que pretendia realizar quando foi atingido pela viatura policial.
Pontos questionados pela família
Entre os principais pontos levantados estão a velocidade da viatura e o uso de dispositivos de emergência. Segundo os relatos, o veículo oficial estaria em alta velocidade e não utilizava sirene nem sinais luminosos no momento em que tentava realizar uma ultrapassagem.
A família também sustenta que o Boletim de Ocorrência teria sido elaborado com base apenas na versão apresentada pelos policiais envolvidos, sem considerar o depoimento de civis que presenciaram o acidente. Outro ponto contestado diz respeito ao estado de saúde da vítima logo após a colisão. Conforme o registro oficial, ele estaria em “condições normais”. No entanto, os familiares afirmam que o motorista deixou o local entubado, foi encaminhado para atendimento especializado, permaneceu 38 dias internado em uma UTI em Porto Alegre e morreu em decorrência das complicações dos ferimentos.

“Nosso único pedido é que haja uma investigação independente e justa, garantindo o direito à verdade”, declarou a filha da vítima, que afirma agir com cautela diante da repercussão do caso.
Pressão e pedidos de esclarecimento
A mobilização por esclarecimentos também teria provocado desgaste emocional à família. Segundo os relatos, após utilizarem as redes sociais para pedir uma apuração transparente, os familiares passaram a sofrer pressão e hostilidade virtual, incluindo solicitações para que publicações relacionadas ao caso fossem retiradas do ar.
Os familiares destacam que não pretendem realizar julgamentos antecipados nem direcionar acusações à instituição policial, mas defendem que a perícia técnica analise todos os elementos da ocorrência, como a dinâmica da ultrapassagem e o cumprimento dos protocolos de emergência por parte da viatura.
Debate sobre investigação independente
O caso reacende a discussão sobre a necessidade de perícias independentes em acidentes que envolvem agentes do Estado. Até o momento, a defesa da família concentra esforços na retificação das informações constantes no boletim e na inclusão dos depoimentos de testemunhas que, segundo alegam, não foram ouvidas oficialmente.
Nota da Redação: Este espaço permanece aberto para manifestação das autoridades competentes e dos órgãos de segurança envolvidos na ocorrência.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Jornalista Rodrigo Farias Calderon
Fotos: Divulgação
