O número de municípios com problemas no abastecimento de diesel no Rio Grande do Sul subiu para 165, conforme levantamento mais recente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul. A coleta de dados, iniciada em 16 de março, já contabiliza respostas de 371 cidades, na última sexta-feira, eram 142 localidades afetadas.
A escassez é atribuída ao agravamento de tensões internacionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm impactado o fornecimento de combustíveis. Entre os municípios atingidos estão Pelotas, Cruz Alta, Erechim, Garibaldi e São Francisco de Paula. Outros 206 municípios ainda não registram prejuízos.
Dados preliminares indicam que ao menos 142 prefeituras já enfrentam aumento considerado abusivo nos preços e dificuldade para abastecer suas frotas. Diante do cenário, administrações municipais passaram a priorizar serviços essenciais, especialmente na área da saúde, enquanto atividades que dependem de maquinário, como obras e manutenção de estradas, vêm sendo suspensas.
Segundo a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, há risco de agravamento da situação caso o problema persista. “Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades”, alertou.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou que as entregas de diesel estão avançando após medidas adotadas na última semana. Segundo o órgão, não há falta generalizada de produto, mas sim dificuldades logísticas em determinadas regiões. A entidade destaca que a Região Metropolitana de Porto Alegre já está abastecida e que o fornecimento ao interior deve ser normalizado ao longo desta semana.
A crise já levou municípios a adotarem medidas emergenciais. Em Formigueiro, na região central, foi decretada situação de emergência no dia 17 de março, diante do impacto direto no escoamento da safra agrícola, na manutenção de estradas rurais e nos serviços essenciais. O decreto permite a compra emergencial de combustíveis e prioriza o uso de máquinas em atividades críticas.
Situação semelhante ocorre em Tupanciretã, que decretou emergência administrativa no abastecimento em 19 de março. A medida estabelece ações excepcionais para garantir a continuidade dos serviços públicos prioritários mesmo diante das dificuldades no fornecimento.
Além da escassez, órgãos de defesa do consumidor também apuram aumentos abusivos nos preços dos combustíveis. A Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, atua em conjunto com Procons estaduais e municipais na fiscalização de postos.
De acordo com balanço divulgado, equipes já percorreram 179 municípios em 25 estados, fiscalizando 1.180 postos de combustíveis. A atuação busca coibir práticas irregulares como reajustes injustificados e possíveis formações de cartel, observadas após o início do conflito internacional no final de fevereiro.
A situação segue sendo monitorada por autoridades e entidades do setor, enquanto municípios enfrentam dificuldades para manter serviços básicos diante da instabilidade no abastecimento.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
