A crise energética provocada pelo conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã já gera impactos diretos na economia do Rio Grande do Sul. Levantamento da Famurs aponta que, dos 393 municípios que responderam à pesquisa, 170 relataram problemas no fornecimento de diesel, o que representa 43% das cidades consultadas.
De acordo com o estudo, a escassez afeta não apenas postos de combustíveis, mas também atividades essenciais, como o transporte público e serviços municipais. A situação mais crítica é observada na região das Missões, onde 15 dos 25 municípios vinculados à Associação dos Municípios das Missões (AMM) enfrentam dificuldades no abastecimento. Na sequência, a região Central também apresenta impacto relevante, com 12 cidades afetadas.
Enquanto isso, em Porto Alegre, os preços dos combustíveis começam a apresentar sinais de estabilização após altas registradas desde o início do conflito. Ainda assim, há variações significativas entre os postos. A gasolina comum, por exemplo, é encontrada a partir de R$ 6,36 no bairro Jardim Carvalho, podendo chegar a R$ 7,59 no bairro Jardim Botânico.
No caso do diesel S10, a diferença de preços é ainda maior: o litro pode custar R$ 6,76 no bairro Sarandi, enquanto no bairro Floresta chega a R$ 7,99. Os dados são do aplicativo Menor Preço, vinculado ao programa Nota Fiscal Gaúcha.
Outro levantamento, realizado pelo Sulpetro, indica que 88% dos postos de combustíveis, entre bandeirados e independentes — estão recebendo produtos de forma parcial das distribuidoras. A entidade aponta dificuldades no acesso à gasolina comum e aditivada, além do diesel S500 e S10.
Segundo o presidente do Sulpetro, Fabricio Severo Braz, desde o início do conflito internacional, os postos têm enfrentado restrições na aquisição de combustíveis devido ao racionamento nas entregas por parte das distribuidoras.
Apesar do cenário, a entidade ressalta que não há desabastecimento generalizado no Estado, mas sim “rupturas momentâneas” no fornecimento. A situação estaria relacionada às cotas impostas pela Petrobras para retirada de produtos pelas distribuidoras, o que impacta diretamente a regularidade das entregas aos postos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
