A segunda estimativa da Safra de Verão 2025/2026, divulgada pela Emater/RS-Ascar, aponta queda na produção de grãos no Rio Grande do Sul em razão da irregularidade e da insuficiência de chuvas durante o ciclo das lavouras. A previsão atual é de 32,8 milhões de toneladas, volume 7,1% menor em relação à projeção inicial de 35,3 milhões de toneladas divulgada em agosto de 2025.
Os dados foram apresentados pelo presidente da instituição, Claudinei Baldissera, na terça-feira (10), durante o tradicional Café da Manhã com a Imprensa realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
A soja, principal cultura do Estado, foi uma das mais impactadas. A nova estimativa aponta produção de 19 milhões de toneladas, redução de 11,3% em relação às 21,4 milhões de toneladas previstas inicialmente. A queda está relacionada principalmente à falta de chuva em períodos críticos do desenvolvimento da cultura, além da redução de 1,7% na área cultivada, dificuldades de emergência das plantas causadas por baixas temperaturas e umidade e também problemas de acesso ao crédito.
No feijão primeira safra, a produção projetada caiu de 46 mil toneladas para 41 mil toneladas, uma redução de 11,6%. Já o feijão segunda safra apresentou queda ainda maior, passando de 16,3 mil toneladas para 11,6 mil toneladas, diminuição de 28,6%, influenciada pela perspectiva de estiagem e pelo preço pago ao produtor.
O arroz também teve redução em relação à estimativa inicial. Com área de 891.908 hectares estimada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a produção deve alcançar 7,7 milhões de toneladas, volume 3,1% menor do que as 8 milhões de toneladas projetadas anteriormente. A diminuição está relacionada principalmente à redução da área cultivada, influenciada por fatores de mercado.
Na contramão das demais culturas, o milho grão apresentou aumento na projeção. A produção passou de 5,7 milhões para 5,9 milhões de toneladas, crescimento de 3%. A área plantada subiu de 785 mil hectares para 803 mil hectares, aumento de 2,3%. Entre os fatores que contribuíram para essa expansão estão o acesso a políticas públicas, como os programas Irriga+ RS e Milho 100%.
Por outro lado, o milho destinado à silagem apresentou redução de 6,9% na produção. A queda está associada à diminuição de 5,7% na área cultivada e à produtividade 1,3% menor, o que representa cerca de 968 mil toneladas a menos. A produção total estimada é de 13 milhões de toneladas.
Segundo o presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, a revisão para baixo reflete principalmente os impactos climáticos registrados durante o desenvolvimento das lavouras. Ele destaca que, em algumas regiões e municípios, as perdas ultrapassam 50%, o que pode comprometer inclusive a colheita de determinados produtores.
O vice-governador Gabriel Souza ressaltou que os números evidenciam as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e defendeu soluções estruturais para o setor, como a securitização das dívidas rurais, para garantir acesso ao crédito e permitir o financiamento das próximas safras. Ele também destacou a importância da ampliação da irrigação e de políticas públicas que reduzam a dependência do clima.
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, afirmou que a redução da estimativa é reflexo direto das condições climáticas adversas enfrentadas em diferentes regiões do Estado. Ainda assim, segundo ele, quando comparada à safra anterior, a produção apresenta crescimento.
Já o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, destacou que programas estaduais vêm auxiliando os produtores. Entre eles está o Milho 100%, que já alcançou cerca de 40 mil agricultores em 447 municípios com a distribuição de sementes, além do programa Operação Terra Forte, considerado o maior projeto de recuperação de solos da história do Rio Grande do Sul, que deverá atender aproximadamente 15 mil famílias com análise de solo, apoio para aquisição de nutrientes e acompanhamento técnico da Emater.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
