A decretação de falência da Olvebra, oficializada em 2025, marca o fim de uma das trajetórias mais emblemáticas da agroindústria brasileira. Fundada por imigrantes chineses no interior do Rio Grande do Sul, a empresa foi pioneira na industrialização da soja no país e uma das primeiras do mundo a produzir extrato de soja em pó em escala industrial.
A história da Olvebra começou antes mesmo de a soja ocupar posição central na economia nacional. Em um período em que o Brasil ainda explorava o grão de forma primária, os fundadores Sheun Ming Ling e Charles Kung Wei Tse trouxeram ao Estado um conhecimento milenar sobre processamento e transformação da soja. A proposta era inovadora: enxergar o grão não apenas como produto agrícola, mas como base para indústria, alimento e proteína.
A primeira unidade industrial foi instalada em Santa Rosa, no Noroeste gaúcho. A escolha estratégica colocou a empresa no centro de uma região agrícola em expansão. Ali, a Olvebra iniciou a industrialização da soja no Brasil, desenvolvendo processos próprios, formando mão de obra especializada e estruturando linhas de extração de óleo vegetal e produção de farelo proteico.
Com o crescimento das operações, a empresa expandiu suas atividades e implantou um complexo agroindustrial em Eldorado do Sul, próximo à Região Metropolitana de Porto Alegre. A nova planta representou um salto tecnológico e consolidou a Olvebra como potência nacional no setor. O parque fabril contava com silos de grande capacidade, laboratórios e centenas de trabalhadores.
Foi em Eldorado do Sul que a empresa alcançou destaque na produção de extrato de soja em pó, tecnologia dominada por poucas indústrias no mundo à época. O produto ampliou a aplicação da soja na alimentação humana, abrindo caminho para suplementos nutricionais e bebidas vegetais, posicionando a Olvebra como referência internacional.
Durante as décadas de 1970 e 1980, o grupo viveu seu auge. Com múltiplas unidades industriais e estrutura verticalizada, da aquisição do grão à distribuição, a empresa atuava em diferentes frentes, como óleos vegetais, farelos, alimentos e nutrição animal. O óleo vegetal Violeta tornou-se o produto mais conhecido, presente em mercados de todo o Sul e em diversas regiões do Brasil, marcando gerações.
Ao longo dos anos 1990, no entanto, o cenário econômico mudou. A abertura de mercado, a concorrência internacional, juros elevados e a ausência de políticas industriais enfraqueceram empresas nacionais. A Olvebra passou por reestruturações, venda de ativos e recuperação judicial, na tentativa de manter as operações e preservar empregos.
Apesar dos esforços, a crise se agravou, culminando na falência decretada em 2025. O encerramento das atividades nas unidades de Santa Rosa e Eldorado do Sul simboliza o fim de um capítulo importante da industrialização gaúcha.
A Olvebra deixa como legado a consolidação da soja como produto industrial no Brasil, a formação de profissionais e a contribuição para o desenvolvimento econômico de diversas cidades. Sua trajetória permanece registrada na história da agroindústria nacional.
Com informações do jornalista Fernando Kopper
Fonte e foto: Web TV Fronteira Noroeste RS
