A demanda internacional por arroz em casca continua em expansão e tem encontrado na América Latina, especialmente na América Central, seu principal mercado. O movimento reforça a qualidade do arroz brasileiro e a conformidade fitossanitária do produto, ao mesmo tempo em que contribui para a geração de renda e empregos no Rio Grande do Sul, estado responsável por grande parte da produção. Segundo a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o aumento das exportações também auxilia na gestão dos estoques internos e na sustentação dos preços pagos ao produtor.
O presidente da entidade, Denis Dias Nunes, destaca que o Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 70% da produção nacional e, apesar do momento favorável no mercado externo, o setor enfrenta desafios importantes. “O setor enfrenta desafios como a volatilidade dos preços, os custos logísticos e as questões estruturais, demandando um foco contínuo em inovação, sustentabilidade e na abertura de novos mercados”, afirma. Ele ressalta que o desempenho do arroz brasileiro no comércio internacional reforça a relevância do agronegócio para a segurança alimentar global.
Para acessar o mercado externo, o produtor precisa atender a padrões rígidos de qualidade e seguir procedimentos específicos. O diretor Técnico de Mercado, Política Agrícola e Armazenagem da Federarroz, Juandres Hörbe Antunes, explica que o primeiro passo é buscar uma corretora confiável, com histórico consistente no setor. Em seguida, é necessário garantir que o produto atenda aos parâmetros internacionais, como mínimo de 56% de grãos inteiros e até 2% de impureza. “O comprador busca nosso produto porque ele tem qualidade reconhecida. Precisamos nos manter dentro desse padrão de 56% de inteiros e menos de 2% de impureza, além dos critérios de grãos descascados, manchados ou picados, que são detalhados em contrato”, reforça Antunes. Outro ponto essencial é garantir 13 pontos de umidade, exigência central para a comercialização.
Antunes também chama atenção para a importância dos prazos contratuais, que diferem significativamente dos praticados pela indústria interna. De acordo com ele, a exportação opera com prazos rígidos tanto para entrega quanto para pagamento. “A maior parte das empresas utiliza cinco dias úteis, mas algumas trabalham com 72 horas após o descarregamento. É importante analisar bem o contrato, conversar com o corretor e planejar o fluxo de caixa para evitar surpresas”, orienta. Ele lembra que, no mercado interno, o pagamento costuma ocorrer no momento da saída do caminhão da propriedade, o que não se aplica às operações internacionais.
Com exigências técnicas elevadas e uma demanda crescente, o arroz em casca brasileiro segue ampliando seu espaço no comércio mundial, fortalecendo o setor arrozeiro e contribuindo para o desenvolvimento econômico das regiões produtoras.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Agrolink
