Na tarde desta terça-feira, 24/03, após diversas reclamações encaminhadas à redação, a equipe de reportagem do Notícias RS esteve no parque de exposições de Cruz Alta para apurar uma denúncia de descarte irregular de resíduos em área de preservação ambiental. A situação encontrada no local confirmou as denúncias e revelou um cenário preocupante de degradação ambiental.

Durante a vistoria, foi constatada a presença de grande quantidade de entulhos descartados de forma irregular em meio à vegetação nativa. Entre os materiais identificados estão restos de fantasias, estruturas metálicas e de madeira, além de diversos enfeites utilizados em carros alegóricos de edições anteriores do carnaval do município. Parte significativa desse material já se encontra em avançado estado de deterioração, indicando que o descarte não é recente e vem se acumulando ao longo dos anos.

Conforme apurado pela reportagem, os resíduos não pertencem à edição de 2026 do evento, o que reforça a hipótese de abandono contínuo de materiais provenientes de carnavais passados. “É possível perceber que muitos desses itens estão completamente degradados, o que demonstra que permanecem no local há bastante tempo”, relatou o jornalista Fernando Kopper, responsável pela cobertura, durante a gravação no local.

O ponto onde o descarte ocorre fica situado aos fundos dos piquetes e espaços nativistas anexos ao parque de exposições, área que deveria ser preservada. No entanto, o espaço atualmente divide cenário com acúmulo de lixo e entulhos, comprometendo não apenas a paisagem, mas também o equilíbrio ambiental da região.
Outro agravante identificado pela equipe foi a evidência de que parte dos resíduos foi queimada no próprio local. A prática, além de ilegal, potencializa os danos ao meio ambiente, liberando poluentes e contribuindo para a degradação do solo e da vegetação ao redor.
A situação se mostrou ainda mais crítica com a constatação da presença de um cachorro morto sobre os resíduos, o que evidencia riscos diretos à fauna local e reforça o impacto negativo do descarte irregular. O episódio demonstra não apenas o abandono da área, mas também a ausência de controle e fiscalização contínua.

Diante dos fatos, a equipe de reportagem entrou em contato com a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram), repassando todas as informações e registros fotográficos obtidos durante a visita. De acordo com a corporação, até o momento não havia denúncias formais relacionadas a esse caso específico, o que pode ter contribuído para a permanência da situação ao longo do tempo.
O descarte irregular de resíduos em áreas de preservação é considerado crime ambiental no Rio Grande do Sul, conforme estabelece a Lei Federal nº 9.605/1998. A legislação prevê multas que podem ultrapassar R$ 25 mil, além de responsabilização criminal e obrigatoriedade de reparação dos danos causados ao meio ambiente.

Além das sanções legais, práticas como essa provocam uma série de impactos ambientais, incluindo contaminação do solo, poluição de cursos d’água, proliferação de vetores de doenças e prejuízos à biodiversidade. Também geram custos adicionais ao poder público, que posteriormente precisa atuar na limpeza e recuperação das áreas afetadas.
O caso reforça a importância da fiscalização, da destinação correta de resíduos e da conscientização sobre a preservação ambiental. Denúncias podem ser realizadas junto aos órgãos ambientais competentes e às autoridades locais, contribuindo para a identificação de responsáveis e a adoção de medidas para evitar novos danos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fotos: Rodolfo A. S. de Oliveira
