O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses nesta terça-feira (24), em Cachoeirinha. O caso, que segue cercado de mistério, é tratado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul como feminicídio e duplo homicídio, com ocultação de cadáveres.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul e da Polícia Civil continuam realizando buscas por Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e pelos pais dela, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70. Silvana desapareceu no dia 24 de janeiro, e os pais no dia seguinte. As buscas contam com o apoio de cães farejadores na tentativa de localizar os corpos.
O casal era proprietário do Mercado Aguiar, localizado na Vila Anair, enquanto a filha atuava como revendedora de cosméticos e também auxiliava no comércio da família.
O principal suspeito é o policial militar e ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente desde o dia 10 de fevereiro. Ele e Silvana têm um filho de 9 anos.
De acordo com o delegado Anderson Spier, responsável pela investigação, o inquérito está em fase final e deve ser concluído em cerca de 20 dias. A polícia pretende solicitar a prisão preventiva do suspeito nas próximas semanas.
Segundo o delegado, há um conjunto significativo de indícios que apontam para a autoria do crime. A investigação conseguiu reconstituir a cronologia dos acontecimentos dos dias 24 e 25 de janeiro, além de descartar o álibi apresentado pelo suspeito.
Para verificar a versão apresentada, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, com análise de um celular, pen drive, HD externo e um videogame. O equipamento foi periciado para identificar se houve conexão com a rede Wi-Fi da residência do suspeito na noite do desaparecimento. A apuração concluiu que ele não esteve nos locais que afirmou.
Outro elemento relevante é que Cristiano estava com o celular de Silvana nos dias posteriores ao desaparecimento, inclusive levando o aparelho para o trabalho, em Canoas.
A motivação do crime, conforme a investigação, estaria ligada a desavenças entre o casal sobre a criação do filho. Silvana teria procurado o Conselho Tutelar para relatar divergências nos cuidados com a criança, que possui restrições alimentares. Há indícios de que ela pretendia ingressar com ação judicial relacionada à guarda.
A polícia também investiga possível motivação patrimonial, já que a família possuía imóveis e outras fontes de renda. Em caso de morte das vítimas, os bens poderiam ser transferidos ao neto.
As contas bancárias de Silvana e dos pais não registraram movimentações desde o desaparecimento, o que reforça a hipótese de que não estejam mais vivos.
Cristiano deverá prestar novo depoimento nos próximos dias. Até o momento, ele foi ouvido apenas uma vez, ainda na condição de testemunha.
A principal linha de investigação aponta para feminicídio, no caso de Silvana, duplo homicídio dos pais e ocultação de cadáveres. A vítima, inclusive, já integra a lista oficial de feminicídios registrados no Estado em 2026.
Em nota, a defesa do suspeito informou que mantém colaboração com as autoridades e que irá analisar a decisão judicial, podendo adotar medidas legais, como pedido de habeas corpus.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
