A comercialização da soja no Rio Grande do Sul segue praticamente travada, reflexo da incerteza produtiva e de gargalos logísticos que antecedem o início efetivo da colheita. A avaliação é da TF Agroeconômica, que aponta dificuldades estruturais no escoamento da produção e competição direta por transporte e armazenagem com o milho já colhido no Estado.
De acordo com a consultoria, o escoamento do milho, com produtividade média estimada em 7.370 quilos por hectare, tem pressionado a logística regional. Caminhões e espaços em armazéns, que já operam próximos do limite, estão sendo disputados, o que compromete a fluidez da comercialização da soja mesmo antes do pico da safra. Nesse contexto, os preços apresentam oscilações negativas em importantes polos produtores gaúchos.
No interior do Estado, Cruz Alta aparece com a saca cotada a R$ 124,00, registrando queda de 0,80%. Em Ijuí, o preço ficou em R$ 123,50, com recuo de 0,40%. Passo Fundo apresentou a maior retração percentual, com a saca negociada a R$ 123,06, queda de 3,10%, enquanto Santa Rosa manteve estabilidade, com cotação de R$ 123,00.
Em Santa Catarina, o mercado apresenta estabilidade técnica, sustentado pela forte integração com o complexo agroindustrial do Estado. Em Palma Sola, a soja teve valorização de 0,87%, alcançando R$ 116,00 por saca, enquanto Rio do Sul manteve preço estável em R$ 116,00. Segundo a TF Agroeconômica, essa estrutura de integração absorve parte significativa da produção catarinense, reduzindo a dependência das oscilações do mercado externo. No porto de São Francisco do Sul, a saca é cotada a R$ 131,90, sem variação.
No Paraná, o cenário é marcado por uma dualidade entre eficiência institucional e atrasos técnicos no campo. No porto de Paranaguá, a soja chegou a R$ 127,76, com leve queda de 0,03%. Em Cascavel, o preço permaneceu estável em R$ 117,23. Maringá registrou R$ 120,00, com recuo de 1,43%, enquanto Ponta Grossa apresentou cotação de R$ 124,20 por saca FOB, queda de 0,23%. Em Pato Branco, o preço ficou em R$ 115,00, estável. No mercado de balcão, Ponta Grossa registrou R$ 118,00.
O Mato Grosso do Sul enfrenta o desafio de administrar uma safra recorde em meio a limitações de infraestrutura. Em Dourados, o preço spot da soja caiu para R$ 108,00, retração de 3,57%. Campo Grande registrou R$ 107,00, queda de 1,83%, enquanto Maracaju ficou em R$ 107,00, com baixa de 3,60%. Chapadão do Sul apresentou R$ 108,00, recuo de 2,70%, e Sidrolândia fechou em R$ 108,00, queda de 0,92%.
Já o Mato Grosso segue ditando o ritmo da safra brasileira, com a colheita alcançando 24,97% da área total cultivada. No Estado, os preços mostram leve reação positiva em alguns municípios. Campo Verde registrou R$ 105,50, alta de 0,19%. Lucas do Rio Verde manteve estabilidade em R$ 100,10, enquanto Nova Mutum chegou a R$ 100,50, com valorização de 0,22%. Em Primavera do Leste, a saca foi cotada a R$ 106,00, alta de 0,28%, Rondonópolis alcançou R$ 107,60, com avanço de 0,56%, e Sorriso fechou em R$ 99,50, com leve queda de 0,10%.
O cenário nacional evidencia que, apesar do avanço da colheita em regiões centrais, a soja ainda enfrenta entraves logísticos e cautela dos produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, onde Cruz Alta figura como um dos principais termômetros do mercado estadual.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
