Em números absolutos, o incremento projetado é de 987,5 mil toneladas na produção nacional. O resultado reflete, sobretudo, ajustes na área cultivada e ganhos pontuais de produtividade, mesmo diante de desafios climáticos registrados em diferentes regiões do país.
No recorte estadual, o Rio Grande do Sul se destaca e deverá colher 39,969 milhões de toneladas de grãos, superando as 35,899 milhões da safra passada. Com isso, o Estado retoma a terceira posição no ranking nacional de produção, posto que havia sido perdido para Goiás em função da estiagem que castigou as lavouras gaúchas no ciclo anterior. À frente do Rio Grande do Sul aparecem o Paraná, com previsão de 45 milhões de toneladas, e o Mato Grosso, líder isolado, com estimativa de 107 milhões de toneladas.
Apesar de uma leve redução de 0,8% na área cultivada, que deve totalizar 10,547 milhões de hectares, o Estado projeta crescimento de 11,3% na produção. O principal fator para esse avanço é a elevação da produtividade média, estimada em 3.789 quilos por hectare na safra 2025/26, contra 3.376 quilos por hectare no ciclo anterior, um ganho de 12,2%.
Arroz apresenta retração em área e produção
O levantamento da Conab aponta redução expressiva no cultivo do arroz em nível nacional. A área semeada, considerando arroz irrigado e de sequeiro, deve cair 9,9%, ficando em 1,6 milhão de hectares. A produção acompanha essa tendência, com retração de 13,3%, projetada em 11,1 milhões de toneladas.
No arroz irrigado, a área deve diminuir 6,6%, alcançando 1,3 milhão de hectares, com produção estimada em 10,2 milhões de toneladas. Já o arroz de sequeiro apresenta queda ainda mais acentuada: redução de 21,4% na área, para 310,1 mil hectares, e produção de 857 mil toneladas, volume 26% inferior ao da safra anterior.
Mesmo com a retração, o Rio Grande do Sul mantém ampla liderança no cultivo do cereal. A produção gaúcha deve alcançar 7,664 milhões de toneladas, o que corresponde a 69,28% de toda a produção nacional. Em relação ao ciclo passado, isso representa queda de 12,2% na produção, redução de 5% na área cultivada, de 968 para 919 mil hectares, e diminuição de 7,6% na produtividade, que passa de 9.021 para 8.334 quilos por hectare.
Soja cresce em produção apesar da redução de área no Estado
A soja, principal cultura do país, apresenta cenário positivo no Rio Grande do Sul. A produção estadual deverá atingir 21,745 milhões de toneladas, um expressivo crescimento de 30,8% em comparação às 16,625 milhões de toneladas colhidas na safra passada. O avanço ocorre mesmo com redução de 2,1% na área plantada, que recua de 7,098 milhões para 6,949 milhões de hectares.
O fator decisivo para o aumento é o salto na produtividade, estimada em 3.129 quilos por hectare, frente aos 2.342 quilos por hectare registrados em 2024/25, uma elevação de 33,6%.
No cenário nacional, a soja deve alcançar 176,1 milhões de toneladas, volume 2,7% superior ao da safra anterior, representando acréscimo de 4,6 milhões de toneladas. A área plantada também cresce 2,8%, com aumento de 1,3 milhão de hectares, passando de cerca de 47,4 milhões para 48,7 milhões de hectares.
Apesar da expansão em área e produção, a produtividade média nacional da soja apresenta leve oscilação negativa de 0,1%. Segundo a Conab, o desempenho é impactado por chuvas irregulares em volumes abaixo do esperado no Mato Grosso do Sul e por limitações físicas de solos arenosos em algumas regiões de Goiás. Em contrapartida, o Rio Grande do Sul se destaca com expectativa de produtividade superior à da safra passada.
Milho tem aumento de área, mas queda de produtividade
Para o milho, o cenário é de estabilidade na produção gaúcha, mas com alerta para a queda de rendimento. O Rio Grande do Sul deverá colher 5,426 milhões de toneladas, volume praticamente igual ao da safra anterior, que foi de 5,430 milhões de toneladas. A área plantada, no entanto, cresce 14,2%, passando de 715 mil para 817 mil hectares.
A produtividade média estadual do cereal tende a cair 12,5%, recuando de 7.590 para 6.641 quilos por hectare, reflexo de condições climáticas adversas ao longo do ciclo.
Em nível nacional, considerando as três safras, a área total de milho deve alcançar 22,8 milhões de hectares, um crescimento de 4% em relação aos 21,7 milhões de hectares da safra 2024/25, o que representa acréscimo de 871,8 mil hectares.
Apesar da expansão da área, a produção brasileira do milho deve sofrer queda de 1,5%, passando de 141 milhões para cerca de 138,9 milhões de toneladas, redução de 2,23 milhões de toneladas. A produtividade média nacional também recua 5,3%, saindo de 6.457 para 6.114 quilos por hectare. A Conab atribui esse desempenho a eventos climáticos como tempestades, granizo, variações bruscas de temperatura e veranicos na Região Sul, além da falta de chuvas no estágio inicial de desenvolvimento das lavouras em Minas Gerais.
Sorgo segue em expansão no país
O sorgo mantém trajetória de crescimento e se consolida como uma cultura em expansão no Brasil. Para a safra 2025/26, a expectativa é de aumento de 11,3% na área plantada e de 9,2% na produção. O volume colhido deve passar de 6,1 milhões de toneladas na safra 2024/25 para aproximadamente 6,7 milhões de toneladas no ciclo atual, um acréscimo de 563,5 mil toneladas.
A área cultivada também avança, com adição de 184,3 mil hectares, passando de 1,6 milhão para 1,8 milhão de hectares. Ainda assim, a produtividade média do sorgo tende a recuar 1,9%, de 3.739 para 3.670 quilos por hectare.
A Conab destaca que a maior parte do cultivo do sorgo ocorre na segunda safra, logo após a colheita da soja, reforçando o papel estratégico da cultura no sistema produtivo nacional e na diversificação das lavouras brasileiras.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
