A produtividade da safra de soja 2025/2026 no Rio Grande do Sul deverá ser impactada negativamente pelas recentes condições climáticas registradas no Estado, um dos principais produtores da oleaginosa no Brasil. A avaliação consta em boletim semanal divulgado pela Emater-RS.
A instituição, vinculada ao governo estadual e responsável pela assistência técnica rural, vinha mantendo a estimativa inicial de produtividade projetada antes do início do plantio, mas sinalizou que os números deverão ser revisados.
Segundo a entidade, a irregularidade na distribuição e no volume das chuvas após a entrada de uma frente fria em 7 de fevereiro aumentou a variabilidade entre as lavouras.
“A heterogeneidade na abrangência e no volume das precipitações elevou a variabilidade entre as lavouras, com perdas já consolidadas em áreas com restrição hídrica durante o período crítico de definição de rendimento”, informou a Emater.
Déficit hídrico e calor extremo afetaram lavouras
De acordo com o boletim, as condições climáticas da última semana foram desfavoráveis, marcadas por déficit hídrico e temperaturas elevadas, com máximas de até 40°C na região das Missões.
A instituição informou ainda que realizará levantamento de campo na segunda quinzena de fevereiro para atualizar as estimativas de produtividade e produção da safra.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul tem registrado sucessivas quebras produtivas, o que tem limitado uma expansão ainda maior da produção brasileira de soja.
Projeções nacionais seguem positivas
Apesar das dificuldades climáticas no Estado, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a projeção da safra nacional e mantém expectativa de crescimento de 28,7% na produção gaúcha, estimada em 21,4 milhões de toneladas.
Anteriormente, a Emater havia projetado produtividade média de 3.180 quilos por hectare no Estado, representando avanço em relação aos 2.009 quilos por hectare da safra passada, fortemente prejudicada pela estiagem.
Já a Conab indicou produtividade de 3.129 quilos por hectare para o Rio Grande do Sul na safra 2025/2026, com base em levantamento realizado na terceira semana de janeiro, antes do agravamento das condições climáticas nas lavouras.
Relatórios de especialistas também têm apontado riscos decorrentes do calor e da falta de chuva no Estado. Para os próximos dias, a previsão indica retorno das precipitações, com intensidades variadas. O norte gaúcho deve registrar os maiores volumes, com acumulados próximos de 100 milímetros ao longo da semana.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
