A MetSul Meteorologia emitiu um alerta especial para esta segunda-feira diante da formação de um centro de baixa pressão extremamente profundo no Nordeste da Argentina, sistema que dará origem a um ciclone considerado incomum em diversos aspectos e que já começa a influenciar o tempo no Rio Grande do Sul.
Ao longo do dia, o sol ainda aparece entre nuvens em várias regiões, especialmente na Metade Leste, porém a nebulosidade aumenta rapidamente. A instabilidade avança pelo Oeste com chuva e temporais que podem trazer granizo e vendavais isolados. Há chance de chuva já pela manhã em alguns pontos, mas o cenário se intensifica da tarde para a noite. O calor perde força, embora parte do estado ainda registre temperaturas elevadas.
De acordo com a MetSul, o ciclone se destaca pela época do ano em que ocorre, por se formar sobre o continente, pela intensidade prevista, pela trajetória irregular e pela pressão atmosférica excepcionalmente baixa. Modelos meteorológicos indicam valores entre 985 hPa e 990 hPa em áreas do Rio Grande do Sul — índices raríssimos e que, se confirmados, serão os menores desde o furacão Catarina, em 2004. A meteorologia reforça, porém, que não se trata de um furacão.
O sistema terá deslocamento lento e deve provocar condições de risco por vários dias, até o início da quinta-feira. A chuva pode ser excessiva em partes do Sul do Brasil, com acumulados entre 150 mm e 300 mm em pontos isolados. Embora precipitações já ocorram em áreas do interior, a instabilidade mais ampla está prevista para terça-feira. A quarta-feira deve manter volumes elevados de chuva no Sul e no Leste gaúcho.
Uma onda de temporais deve acompanhar o ciclone em diversos estados, com risco de granizo de vários tamanhos e vendavais que, isoladamente, podem ser destrutivos. A possibilidade de tornados não está descartada.
Os ventos ciclônicos também preocupam pela intensidade e duração. Rajadas entre 60 km/h e 80 km/h devem atingir grande parte do Rio Grande do Sul, enquanto o Sul e o Leste podem registrar velocidades entre 80 km/h e 100 km/h. Em áreas do Sul, no litoral e na região da Lagoa dos Patos, as rajadas podem chegar a 130 km/h. Pontos elevados da encosta da Serra, entre o Nordeste do estado e o Planalto Sul catarinense, podem enfrentar rajadas entre 100 km/h e 150 km/h, segundo a MetSul.
A recomendação é de atenção redobrada da população e de órgãos de defesa civil, uma vez que o fenômeno deve manter condições severas por vários dias consecutivos.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
