As condições das pastagens no Rio Grande do Sul apresentaram melhora ao longo do período recente, impulsionadas principalmente pelas chuvas e pela elevação das temperaturas. A avaliação consta no Informativo Conjuntural divulgado recentemente pela Emater/RS-Ascar, que aponta avanço no desenvolvimento vegetativo do campo nativo, com aumento da oferta e da qualidade das forragens após a regularização climática.
De acordo com o relatório, a retomada das precipitações e o clima mais quente favoreceram o crescimento das áreas de pastagem e a recuperação da coloração verde. O documento destaca que “as chuvas do período e a elevação das temperaturas proporcionaram a retomada do crescimento e da coloração mais verde das áreas”, refletindo diretamente na melhoria das condições para a pecuária.
As pastagens cultivadas também foram beneficiadas. Conforme a Emater/RS-Ascar, houve retomada do crescimento das forrageiras anuais de verão já implantadas, além do avanço na implantação de áreas que estavam atrasadas devido à falta de umidade. Com a recomposição da umidade do solo, áreas implantadas mais tardiamente receberam adubação NPK, com expectativa de resposta positiva tanto para pastejo direto quanto para a produção de feno e sementes.
Na região administrativa de Bagé, em Lavras do Sul, o aumento da umidade do solo acabou impedindo a retomada da semeadura de novas áreas de pastagens. Já em Hulha Negra, a ausência de chuvas por três semanas consecutivas provocou abortamento de flores e sementes em estágio inicial, o que pode comprometer a colheita prevista para as próximas semanas. Em Quaraí, campos localizados em áreas pedregosas permaneceram com aspecto seco, em razão da má distribuição das precipitações.
Na região de Caxias do Sul, o período de tempo seco e quente registrado nas últimas semanas afetou a qualidade das pastagens. No entanto, a redução das temperaturas e o retorno das chuvas na metade do período repuseram a umidade do solo, favorecendo o desenvolvimento das forrageiras. As pastagens perenes de verão foram utilizadas para pastejo, com oferta considerada adequada, especialmente o tifton.
Em Erechim, as pastagens perenes de verão, como tifton e Jiggs, estão em pleno crescimento nas áreas já condicionadas, possibilitando cortes destinados à produção de feno e silagem pré-secada. O informativo ressalta que a oferta de forrageiras de verão para pastejo se normalizou com as precipitações ocorridas no período.
Na região de Passo Fundo, o rebrote das forrageiras permitiu ajustes na lotação dos piquetes. As chuvas registradas tendem a reduzir as perdas observadas anteriormente e a recuperar o potencial produtivo das pastagens. Em Pelotas, especialmente no município de Pinheiro Machado, as precipitações favoreceram a retomada do crescimento das pastagens nativas e cultivadas, embora os rebrotes iniciais tenham sido pouco expressivos, possivelmente em função do estresse hídrico acumulado durante a estiagem.
Ainda na região de Pelotas, os volumes de chuva variaram entre 220 e 350 milímetros, contribuindo para a recuperação das lavouras destinadas à silagem e das áreas de pastagem. Em Soledade, as pastagens perenes e as anuais de verão recuperaram estatura após as chuvas, resultando em aumento da oferta de volumoso. Apesar da melhora, a Emater/RS-Ascar ressalta que a disponibilidade de forragem ainda não é considerada satisfatória na maioria das propriedades rurais.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
