O Rio Grande do Sul registra uma nova queda nos casos de dengue em 2026, após um 2024 marcado por explosão de infecções e uma redução já observada em 2025. Nas primeiras dez semanas do ano, foram confirmados 311 casos da doença, número dez vezes menor do que no mesmo período do ano passado, quando houve cerca de 3 mil registros, conforme o painel da Secretaria Estadual da Saúde.
Este é o menor número de casos para o início do ano desde 2019, quando apenas 64 infecções foram contabilizadas no estado. De acordo com a bióloga Valeska Lagranha, diversos fatores ajudam a explicar a redução significativa, entre eles a imunidade adquirida por parte da população a determinados sorotipos do vírus.
“A dengue é uma doença historicamente cíclica, com anos epidêmicos seguidos por períodos de menor incidência. Podemos considerar hipóteses como a redução da população suscetível, além das condições climáticas. O inverno de 2025 foi mais rigoroso e a primavera mais seca, o que contribuiu para menos casos no verão. Também tiveram impacto as ações de controle, como capacitações, monitoramento e combate ao vetor”, explicou.
Apesar da queda, a especialista alerta que o período de maior transmissão ainda está por vir. Historicamente, o pico de casos no estado ocorre na semana epidemiológica 16, em abril. “Março e abril costumam concentrar mais casos, mas ainda não observamos esse aumento. Seguimos monitorando para entender se será um ano com baixa incidência ou apenas um atraso na curva. Por isso, é fundamental manter os cuidados, como uso de repelentes, eliminação de criadouros e vacinação para quem tem acesso”, destacou.
Até o momento, as regiões com maior número de casos confirmados são o Vale do Sinos, com destaque para Novo Hamburgo, e o Vale do Rio Pardo, especialmente Santa Cruz do Sul. Outro ponto de atenção é Jacutinga, no Noroeste gaúcho, onde, apesar do número absoluto de casos não ser elevado, a incidência proporcional preocupa devido à população reduzida.
A bióloga reforça que, mesmo com a chegada do inverno, as ações de prevenção não devem ser interrompidas. “Nos últimos anos, tivemos registros da doença em todas as semanas epidemiológicas do inverno. O mosquito tem se adaptado a temperaturas mais baixas, ainda que com menor reprodução. Por isso, o combate ao vetor deve continuar ao longo de todo o ano”, concluiu.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
