A disparada no preço do diesel já começa a impactar diretamente o transporte intermunicipal no Rio Grande do Sul. Empresas do setor passaram a reduzir horários de linhas e a solicitar reajustes nas tarifas, conforme confirmou a Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Sul.
De acordo com o presidente da entidade, Sergio Tadeu Pereira, a medida tem caráter preventivo diante da elevação dos custos operacionais, dos quais cerca de 20% estão ligados ao combustível. “É melhor reduzir horários de baixa demanda e manter as linhas ativas do que enfrentar uma paralisação total por falta de diesel”, afirmou. Segundo ele, as decisões vêm sendo adotadas em diálogo com os municípios.
Além da alta de preços, o setor enfrenta queda no número de passageiros, o que agrava a situação financeira das empresas. A Fetergs aponta que subsídios municipais são uma das alternativas mais viáveis para garantir a continuidade do serviço.
A crise no abastecimento também levou a prefeitura de Formigueiro a decretar situação de emergência nesta terça-feira (17). O município cita impactos diretos no escoamento da safra agrícola, manutenção de estradas rurais e serviços essenciais, como transporte escolar, saúde e segurança. Com o decreto, a administração poderá realizar compras emergenciais de combustível e adotar medidas para contenção de gastos.
Na região metropolitana de Porto Alegre, o preço do diesel apresenta forte oscilação. Nesta terça-feira, os valores variavam entre R$ 6,19 e R$ 7,59, após terem alcançado até R$ 8,24 no dia anterior, em Canoas. A instabilidade está relacionada à alta do petróleo no mercado internacional, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.
A Sulpetro informou que o abastecimento de diesel ocorre de forma racionada, com distribuidoras recorrendo à importação ou a refinarias privadas, muitas vezes a preços superiores. A entidade também relatou a prática de ágio nos leilões recentes, com valores até R$ 2,00 acima da tabela por litro.
Já a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre apontou aumento de cerca de 10% no diesel desde o início do mês, mas informou que, até o momento, não há alterações previstas nas linhas da Capital. O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul segue monitorando o cenário internacional, especialmente os possíveis efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o fornecimento de combustíveis.
Além do diesel, a procura por gasolina também aumentou em algumas regiões do Estado, gerando filas e falta de produtos em postos, o que amplia a preocupação de entidades do setor com o abastecimento nos próximos dias.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
