A relevância da irrigação para a agropecuária gaúcha e para toda a economia do Rio Grande do Sul foi o centro do debate no evento Tá na Mesa, promovido pela Federasul nesta quarta-feira (26), na sede da entidade em Porto Alegre. O tema, apresentado como “Desafio da Irrigação na Resiliência Climática”, foi conduzido pelo economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, e pelo senador Luiz Carlos Heinze, em um encontro marcado por análises sobre as perdas acumuladas pelas safras recentes devido às estiagens repetidas.
Da Luz apresentou dados que evidenciam o impacto econômico dos últimos cinco anos. Entre 2020 e 2024, estavam projetadas produções somando 227 milhões de toneladas de grãos, mas a colheita final totalizou 178,4 milhões de toneladas, resultando em uma perda de 48,6 milhões de toneladas, “mais do que uma safra inteira”, destacou. O volume perdido seria suficiente para encher 851.847 carretas bitrem de 57 toneladas, formando uma fila que se estenderia por 25.555 quilômetros.
Os prejuízos financeiros também foram expressivos. Os produtores deixaram de faturar R$ 126,3 bilhões, valor que representaria cerca de R$ 400 bilhões circulando na economia gaúcha, praticamente metade do PIB estadual. A relação direta entre agropecuária e economia fica evidente ao observar anos como 2020, quando o PIB do setor caiu 29,6% e puxou o PIB estadual para uma retração de 7,21%. Em 2022, nova queda: retração de 41,7% no setor e 2,8% no PIB estadual. Em contrapartida, 2021, ano sem estiagem, registrou crescimento de 53% no PIB do agro e alta de 9,3% no PIB gaúcho.
Atualmente, cerca de 500 mil hectares de lavouras de grãos são irrigados no Estado, em um universo superior a 8 milhões de hectares cultivados. O economista reforçou que, sem ampliar essa área, o Rio Grande do Sul continuará crescendo menos que outros estados e ficando para trás inclusive em relação à média nacional. “Nós somos um estado que está ficando pobre, e rápido”, alertou Da Luz, destacando que esse cenário tem provocado migração de gaúchos para outras regiões do país.
Da Luz também ressaltou que o Estado não enfrenta escassez de chuvas comparável a países áridos, como a Arábia Saudita, mas sim estiagens de algumas semanas no verão, períodos que poderiam ser compensados com armazenamento adequado de água durante meses mais chuvosos.
Nesse ponto, o senador Luiz Carlos Heinze destacou um projeto de lei de sua autoria que destinou recursos para a elaboração de um estudo técnico mapeando áreas com potencial para construção de açudes em propriedades rurais. O levantamento identificou 9.780 locais aptos, dos quais 3.286 já têm açudes concluídos e mais de 6 mil ainda serão executados.
Heinze citou municípios em que a implantação dos reservatórios já transformou a produção. Em um deles, 900 açudes irrigam 48 mil hectares; em outro, 624 reservatórios garantem água para 31 mil hectares. O senador explicou que o investimento médio para irrigação, construção do açude, rede elétrica e instalação de pivôs, varia entre R$ 25 mil e R$ 30 mil por hectare, geralmente bancado pelo próprio produtor. Ele defendeu que prefeituras auxiliem no suporte técnico, reforçando que “a solução é construir açudes para irrigar”.
Segundo Heinze, esse é um investimento produtivo e necessário para reduzir perdas e assegurar competitividade ao agronegócio gaúcho.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo
Foto : Sergio Gonzalez
